comboio

Um dos primeiros precursores daquilo que se tornou mais tarde o comboio foi o auto-propulsor idealizado pelo jesuíta flamengo Ferdinand Verbiest, em Pequim, em 1681. Em 1769, um militar também francês, de seu nome Joseph Cugnot, construiu em Paris um veículo a vapor destinado ao transporte de munições.
A locomotiva e, subsequentemente, as vias férreas só apareceriam com o engenheiro inglês Richard Trevithick. Este, depois de várias tentativas, construiu em 1804 uma "locomotiva" de quatro rodas que conseguiu já puxar cinco vagões com dez toneladas de carga e setenta passageiros, a 8 km/hora, sobre trilhos em ferro fundido. Começou-se a pensar então na possibilidade de se construírem vias férreas e conjuntos de veículos capazes de as percorrer, em substituição dos trilhos em madeira que se usavam desde 1738. Mas as dificuldades com a proporção de peso entre a locomotiva e a carga a puxar eram ainda muitas, o que motivou os engenheiros de meados do século XIX a procurar soluções. Em 1812, o inglês John Blenkinsop construiu então uma locomotiva que, ao deslocar-se sobre carris de ferro fundido, dispunha de dois cilindros verticais que movimentavam dois eixos unidos a uma roda dentada, a qual acionava uma cremalheira.
Mas seria George Stephenson a dar o impulso decisivo ao desenvolvimento da locomotiva e, por conseguinte, do comboio. Mecânico nas minas de Killingworth, construiu em 1814 a sua primeira locomotiva a vapor para o caminho de ferro desse estabelecimento mineiro. A máquina, batizada de Blucher, conseguia puxar trinta toneladas a 6 km/hora. Entre 1823 e 1825 Stephenson construiu também uma linha férrea entre Stockton e a região mineira de Darlington, no norte de Inglaterra, num percurso de cerca de 61 km. Era assim inaugurada em 27 de setembro de 1825 a primeira linha de caminho de ferro a vapor. O mesmo técnico foi encarregado de construir, quatro anos depois, a linha de ferro Liverpool-Manchester, inaugurada em 15 de setembro de 1830. Usou então a sua locomotiva, a "Rocket" (foguete), com caldeira tubular, invento do engenheiro francês Marc Séguin. Atingiu-se então uma velocidade 32 km/hora, superando a locomotiva da linha de ferro Stockton-Darlington. Em 1846, Stephenson inventava um modelo de locomotiva que seria a base conceptual e mecânica do comboio até pleno século XX.
Ainda na primeira metade do século XIX, as rodas motrizes passaram a estar atrás da caldeira, permitindo assim o uso de rodas de grande diâmetro e um aumento de velocidade. Era o começo da era da locomotiva a vapor, imperatriz dos caminhos de ferro de todo o mundo durante mais de um século.
O comboio desde então não parou de evoluir, acompanhado pela difusão do caminho de ferro por todo o mundo num ritmo espantoso, levando o progresso até às regiões mais inóspitas do Novo Mundo ou da Ásia Central. Em 1840 existiam já cerca de 10 mil quilómetros de vias férreas em Inglaterra e 550 em França, onde o comboio chegara na década de 30, em cuja parte final se implantou igualmente na Alemanha e na Bélgica, acompanhando a industrialização da Europa. Mas também a América do Norte recebeu este fogoso invento ainda na primeira metade de Oitocentos, pois em 1840 possuía já 4500 quilómetros de linhas, que avançavam para Oeste impondo o ritmo da colonização e da exploração económica, em 1850 existiam 30 000 quilómetros e em 1914 atingia-se a cifra surpreendente de 451 000 quilómetros, mais do que qualquer outro país do mundo. A Rússia começou a sua aventura do comboio em 1836, que rapidamente se expandiu por todo o seu imenso território e foi fulcral para a colonização da Sibéria (transiberiano, a linha mais comprida do mundo, com 9313 km) ou para a exploração do Cáucaso, região que se revelaria rica em petróleo (linha transcaucasiana). Depois foi a vez da Índia, da China, da América do Sul, da África Austral e da Austrália, principalmente na primeira metade do século XX.
As locomotivas conheceram também uma grande evolução técnica, passando do vapor à eletricidade. A locomotiva elétrica apareceu em 1840 mas só se desenvolveu a partir de 1890, mantendo-se ainda em uso, como sucede com os rápidos comboios japoneses. Da última década do século XIX surge também a locomotiva a diesel, que utiliza o motor de injeção inventado por Rudolf Diesel em 1893. Desenvolveu-se bastante em termos mecânicos em meados do século XX e a partir de 1920 começou a destronar a velha locomotiva a vapor. Também surgiu a locomotiva diesel-elétrica, mais tarde, já na metade do século XX, que teve também grande sucesso. Ambas as motorizações elétrica e diesel se mantêm ainda hoje, embora as locomotivas de turbinas a gás conheçam grande expansão. Os comboios aerodinâmicos estão a implantar-se em vários países, surgindo já modelos bastante sofisticados como o TGV (Train de Grand Vitesse, França) ou o AVE, comboios com motores de grande potência (motores elétricos), de suspensão pneumática e forma aerodinâmica, de grande conforto e capacidade para atingir os 300 km/hora ou mesmo 400, em alguns modelos japoneses.
Existem comboios de passageiros e de mercadorias, sendo mais rápidos os primeiros.
Em Portugal, o comboio "nasceu" em 1856, com a abertura de 26 km de linha entre o Carregado e Lisboa. Na década seguinte, surgiram mais linhas, na região de Lisboa. Em 1877, chegava já ao Porto, concluindo-se a linha do Norte. A companhia de Caminhos de Ferro Portugueses (CP) nasceu em 1865. As primeiras locomotivas a diesel surgiram apenas em Portugal em 1947 e as elétricas só dez anos depois. Atualmente, existem comboios rápidos entre Lisboa e Porto (Alfa), com a versão "Pendular", mais rápida.
Como referenciar: Porto Editora – comboio na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-10-23 05:11:16]. Disponível em