Comércio Ultramarino

Durante o século XV os portugueses comerciaram em África escravos negros, mouros e guanches e produtos indígenas na costa ocidental africana até ao rio Casamansa, estendendo-se o seu raio de ação também às Canárias, de onde traziam sangue-de-drago, peles de caprinos, óleo de peixe e escravos e ao mercado muçulmano (com autorização papal das bulas Super gregem dominicum, 1418, e Preclaris tue devotionis, de 1437), transacionando neste armas, embarcações, cordas, madeira, ouro, escravos, goma, marfim, malagueta, anil e açúcar. Os escravos capturados eram postos em leilão no mercado de Lagos até à proibição da captura de nativos em 1448. Por volta de 1450 prosperou o comércio de ouro, algodão, gatos-da-algália, marfim e papagaios nas margens dos rios que corriam pelo interior da Guiné, seguindo-se o comércio da malagueta na Costa da Malagueta, o do ouro na costa com o nome deste metal e o da pimenta de rabo e peles de onça do Benim. Em 1469 foi arrendado o comércio da Guiné a Fernão Gomes, em troca da exploração durante cinco anos de 100 léguas anuais e do apagamento de uma taxa ao reino.
Foi logo no ano de 1501 que se iniciou o comércio transatlântico com o Brasil, sendo o produto mais procurado aquele que deu o nome ao país, o pau-brasil. Este servia para a tinturaria e foi o produto mais procurado durante todo o século XVI. Mais uma vez, o reino utilizou a partir de 1502 o método de arrendar o comércio brasileiro ao judeu Fernão de Noronha em troca da exploração anual de 300 léguas, de enviar três naus ao Brasil por ano e de defender as descobertas com fortalezas. Passaram também a ser comerciados produtos exóticos como papagaios e macacos, assim como índios.
Em 1505 predominou o comércio na Índia, da pimenta e dos panos do Malabar, depois de ser ter afirmado a rota comercial entre Lisboa e a Índia.
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