cometa Halley

Este é sem dúvida o cometa mais conhecido. O seu nome deve-se ao ilustre astrónomo inglês Edmond Halley, que em 1705 calculou os elementos da sua órbita, reconheceu o seu carácter periódico e previu a data do seu regresso. Em 1682 este cometa teve uma das muitas passagens pelas proximidades do Sol. Halley, então com a idade de 26 anos, ficara fascinado com a espetacular aparição de um cometa. Até essa época os cometas eram considerados como acontecimentos aleatórios, sem regresso periódico e associados, em geral, a algum acontecimento catastrófico. Halley calculou as órbitas de 24 cometas brilhantes, utilizando a teoria da gravitação recentemente formalizada por Isaac Newton, de quem era colaborador e amigo. Concluiu que o cometa observado em 1531 por Apian, o que tinha sido descrito por Kepler e Logomontanus em 1607 e o de 1682 tinham elementos da órbita muito parecidos. Comprovou, também, que as aparições de 1305, 1380 e 1456 deveriam corresponder ao mesmo cometa. Calculou que o seu período seria de aproximadamente 76 anos, embora houvesse flutuações devido a perturbações na sua órbita produzidas pela influência de planetas como Júpiter. Com a ajuda de Clairaut Laland e Mme. Hortense Lepeaute (que se encarregaram dos cálculos numéricos), previu que a sua próxima passagem no periélio (ponto da órbita mais perto do Sol) ocorresse a 15 de abril de 1759, com um erro inferior a 30 dias. De facto, esse acontecimento teve lugar a 13 de março de 1759. O erro cometido ficou a dever-se ao desconhecimento do valor preciso das massas dos planetas perturbadores. No entanto, este era, inegavelmente, um triunfo da mecânica celeste de Newton.
A sua passagem seguinte pôde ser prevista com mais rigor por G. de Pontécoulant, uma vez que já se conheciam com rigor as massas dos planetas perturbadores (incluindo a de Úrano). A passagem no periélio, prevista para 13 de novembro de 1835, veio a ocorrer 3 dias depois, o que testemunha o progresso alcançado em três quartos de século. A sua penúltima passagem foi prevista por Crommelin para 17 de abril de 1910, ocorrendo 3 dias depois. Esta aparição foi particularmente espetacular, por ser visível a olho nu antes do amanhecer, com uma cauda magnífica. A sua última passagem pelo periélio ocorreu a 9 de fevereiro de 1986 (conforme previsto), sendo esperada para 28 de julho de 2061 a sua próxima passagem (pelo astrónomo Donald K. Yeomans).
Nesta sua última passagem, a distância mínima a que passou do Sol foi de 88 milhões de quilómetros, ou seja, 0,587 Unidades Astronómicas (UA). Uma UA é a distância média da Terra ao Sol. O dia em que passou mais perto da Terra foi a 11 de abril de 1986, a 63 milhões de quilómetros. Foi, por isso, mais visível entre 6 e 10 de abril. A sua passagem mais próxima da Terra deverá ter ocorrido a 10 de abril de 837, a 4,8 milhões de quilómetros.
Os elementos da sua órbita são, agora, bem conhecidos: o seu período médio é, de facto, de 76 anos, mas pode variar entre 74,7 e 79,1 anos. Tem uma excentricidade e = 0.967. O sentido do seu movimento é retrógrado (sentido dos ponteiros do relógio), com uma inclinação orbital de 162,24o. As suas dimensões são de 16'8'8 km3.
Muitas missões espaciais com naves e sondas foram preparadas para estudar o cometa. De entre elas, refira-se as VEGA 1 e VEGA 2 da URSS, Planet A e Sakigake do Japão, Giotto da Agência Espacial Europeia (esta sonda aproximou-se a menos de 500 km do núcleo do cometa) e um módulo que seguia a bordo do Space Shuttle dos EUA.
O núcleo do cometa é composto essencialmente por gelo, fragmentos rochosos e poeira. Tem dois tipos de cauda, uma retilínea, composta por gás ionizado que é empurrado pelo vento solar, e outra curva, mais difusa, composta por poeira onde é refletida a luz solar. Calcula-se que o núcleo do cometa seja da idade do Sistema Solar (cerca de 4,6 milhares de milhões de anos) e tenha sido formado por um processo de acreção no Sistema Solar exterior ao mesmo tempo que os planetas mais longínquos. Durante uma volta completa, o cometa perde cerca de 100 mil milhões de kg de gelo e poeiras. Ainda não se sabe qual será o fim deste astro. Alguns com características idênticas têm colidido com o Sol, enquanto outros são ejetados para fora do Sistema Solar; outros ainda colidiram com a Terra.
Calculando as datas das anteriores passagens no periélio, Cowell e Crommelin conseguiram identificá-lo com um certo número de cometas cujas aparições eram relatadas em crónicas antigas. A mais antiga observação deste astro remonta ao ano de 240 a. C., o que perfaz 30 consecutivas. Talvez se encontrem referências a partir do ano de 1057 a. C.; contudo, a sua identificação com um cometa referenciado naquele ano nos anais chineses continua duvidosa.
As sucessivas aparições foram quase sempre associadas a acontecimentos desastrosos. No ano 11 a. C. foi considerada como anúncio da morte de Agripa; no ano 66 da nossa era, como presságio da destruição de Jerusalém; na sua volta em 451, foi responsabilizado pela derrota de Átila; em 1066, pelo contrário, atribuiu-se-lhe o êxito de Guilherme na Batalha de Hastings, razão pela qual figura um cometa na coroa real britânica; ocorrendo em 1456, três anos após a tomada de Constantinopla pelos Turcos, as crónicas da época descrevem-no como grande e terrível; em 1910 espalhou-se a crença de que os gases da cauda eram venenosos ou inflamáveis e que acabariam com a vida na Terra, o que provocou grande pânico e originou mortes e suicídios.
Como referenciar: cometa Halley in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-11-25 10:38:08]. Disponível na Internet: