Companhia de Comércio com o Brasil

Com a união dos reinos de Portugal e da Espanha em finais do século XVI, as relações comerciais entre estas duas nações intensificaram-se. À primeira vista não se verificou uma radical alteração do tráfico mercantil, mas é bastante plausível que a estrutura mais elaborada do comércio espanhol tenha tido alguma influência, bem como a tendência para a organização económica e o exemplo da Holanda, no esforço que Portugal fez para fundar as primeiras companhias comerciais, ou sociedades de comércio, numa época em que o capitalismo de estado estava em decadência e ia sendo preterido pelo aparecimento de iniciativas privadas.
Assim, surgiu a Companhia Portuguesa das Índias Orientais, em 1587, e a Companhia da Navegação e Comércio com a Índia de 1619, tornada oficial em 1628. Durante a governação de D. João IV houve nova tentativa de criar companhias mercantis. Nesse contexto, surgiu em 1649 a Companhia para o Comércio com o Brasil, com alvará para vinte anos, à qual foi concedida o monopólio das exportações de vinho, farinha, azeite e bacalhau para a colónia brasileira, e também das importações de pau-brasil na Europa. Esta companhia teve o direito exclusivo de proteger todos os navios encaminhados de e para o Brasil, e pôs em prática uma estratégia, mal sucedida, de captação dos capitais dos cristãos-novos no estrangeiro.
Por alguns anos a sua atividade não cresceu. Durante esse período, a companhia garantia apenas a segurança dos navios mercantes dos ataques da pirataria e de corsários. No ano de 1662, esta companhia foi nacionalizada, ou seja, foi tomada pela Coroa, que a transformou, gradualmente, na Junta do Comércio.

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