Companhia de Comércio com o Oriente

A descoberta e domínio de Portugal sobre territórios dos novos mundos conduziu a uma necessidade de se proceder a uma estruturação destas regiões da Ásia, da África e da América, que numa fase inicial foi fruto de uma repetição e adaptação dos modelos utilizados anteriormente pelas repúblicas italianas e pela Hansa Teutónica. Nas zonas de mais complexa penetração colonial foram estabelecidas feitorias ou entrepostos comerciais para serem transportados e permutados os produtos indígenas pelos produtos da potência colonial, enquanto que nos territórios mais propícios à colonização do homem branco foi usado o modelo das capitanias, de acordo com o qual os territórios conquistados eram repartidos pelos colonizadores cristãos.
Mais tarde o comércio efetuado entre a metrópole e as colónias passou a ser feito através de companhias de tipo monopolista, inseridas numa política protecionista, bastante semelhantes às companhias comerciais, mas dotadas de acrescidos poderes políticos e soberanos, determinados pela carta que lhes conferia o monopólio do tráfico e da exploração dos recursos de alguns produtos de determinadas regiões das colónias. Deste modo, o Estado português auferia avultados rendimentos, sem despender grandes gastos.
As pioneiras companhias monopolistas foram criadas pelo infante D. Henrique no início do século XV, uma em Lagos, vocacionada para as pescas, e outra em Arguim, na costa ocidental africana. Em 1587, no reinado de Filipe II de Espanha (I de Portugal), foi fundada a Companhia das Índias Orientais, a quem foi atribuído o monopólio do comércio com a Índia; no entanto, esta companhia não teve o sucesso desejado e, por isso, a sua duração foi bastante efémera. A Coroa tentou montar outras companhias deste tipo com a Índia, sem conseguir os efeitos pretendidos como aconteceu, pouco depois, com as Companhias das Índias Inglesa e Holandesa estabelecidas nas primeiras décadas do século XVII.
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