comparação

Figura de retórica baseada na analogia, muitas vezes também designada por símile, que consiste na aproximação sintática de duas realidades ou entidades diferentes na sua natureza, mas que apresentam algum tipo de relação na sua configuração semântica ou cognitiva. A comparação aproxima-se da metáfora na medida em que são ambas figuras de analogia, mas enquanto na comparação estão explícitos os termos comparáveis e os termos comparados, na metáfora os dois termos de comparação fundem-se em algum ponto.
A ligação sintática subjacente à comparação é feita através de conjunções e locuções conjuncionais subordinadas comparativas (assim como, tal....qual, como, como se, como) ou através de formas verbais (assemelhar-se, parecer, lembrar, etc.).
A comparação destina-se por um lado a embelezar a construção discursiva, mas por outro possui um evidente pendor didático ou instrutivo, ou pelo menos clarificador do discurso. No excerto que se segue de Os Lusíadas, relativo ao episódio da morte de Inês de Castro, faz-se uma comparação alargada entre o assassinato de Inês de Castro pelos carrascos de Afonso IV e a imolação de Polycena, filha de Príamo (rei de Troia), por Pirro, filho de Aquiles:

"Qual contra a linda moça Polycena,
Consolação extrema da mãe velha,
Porque a sombra de Aquiles a condena,
Co ferro o duro Pirro se aparelha;
Mas ela, os olhos, com que o ar serena
(Bem como paciente e mansa ovelha),
Na mísera mãe postos, que endoudece,
Ao duro sacrifício se oferece:

Tais contra Inês os brutos matadores,
No colo de alabastro, que sustinha
As obras com que Amor matou amores
Aquele que despois a fez Rainha,
As espadas banhando e as brancas flores,
Que ela dos seus olhos regadas tinha,
Se encarniçavam, férvidos e irosos,
No futuro castigo não cuidosos."
(Camões, Os Lusíadas, III, 131-132)
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