comunicação

A palavra comunicação deriva do latim communicare, que significa "tornar comum", "partilhar", "conferenciar". A comunicação pressupõe, deste modo, que algo passe do individual ao coletivo, embora não se esgote nesta noção, uma vez que é possível a um ser humano comunicar consigo mesmo.
Geralmente, o conceito de comunicação aplica-se à troca de informações sob a forma de uma mensagem. Porém, também se pode aplicar à troca de bens e serviços ou até à troca de uma namorada por outra. A partilha de experiências, sensações e emoções é, igualmente, ato comunicativo. Uma série de pessoas caladas e imóveis, à noite, à volta de uma fogueira, estão a comunicar, porque estão a partilhar, a tornar comum uma experiência. Vê-se, assim, que informação e comunicação são conceitos diferentes. A comunicação suporta a informação, mas o inverso não é verdadeiro. Isto é, pode haver comunicação sem troca de informação, mas a troca de informação pressupõe a comunicação.
A comunicação é um processo. Como tal, é dinâmica, evolutiva. Para facilitar o estudo da comunicação, alguns teóricos estabeleceram modelos onde se propõem representar os atos comunicativos que pressupõem a troca de mensagens informativas. O modelo clássico do processo de comunicação, derivado da Teoria da Informação, mostra o emissor a enviar uma mensagem a um recetor que possa não apenas percecionar mas também adquirir a mensagem. Isto pressupõe que o recetor possua não apenas capacidades que lhe permitam percecionar a mensagem, mas também que partilhe um código com o emissor, de forma a compreender, atribuir significado e adquirir a mensagem. Esta é veiculada através de um canal, onde pode haver interferências indesejáveis (ruído sobre a mensagem). Quando a mensagem não transporta informação nova, ela é redundante para o recetor. O ato comunicativo exposto acontece no âmbito de um determinado contexto e admite uma reação do recetor (retroação ou "feedback"), que pode ser, inclusivamente, a não integração ou a rejeição dos conteúdos da mensagem ou da própria mensagem.
Registe-se, porém, que os modelos não podem confundir-se com a realidade, nem mesmo com a imagem espelhada desta. Não há modelo, por mais exaustivo que seja, que se possa considerar o modelo completo e definitivo de alguma coisa que represente. Os modelos servem para facilitar o estudo e a compreensão dos fenómenos, e, assim, também o modelo do processo de comunicação serve para facilitar o estudo e a compreensão dos atos comunicativos. Mas os modelos do processo de comunicação representam, artificialmente, um instante de um ato comunicativo onde se engloba um conjunto finito de variáveis (como o emissor, a mensagem, etc.). Não representam todo o ato comunicativo e todos os fatores intervenientes. Não representam todas as interações que se estabelecem e mudam constantemente entre os elementos intervenientes nesse ato, que, por sua vez, também mudam, eles próprios, ao longo do tempo, tanto quanto o contexto muda. E, além disso, esses modelos pressupõem que o processo da comunicação pode ser "congelado" num instante, quando, na verdade, ele é dinâmico, evolutivo e não tem, sequer, princípio ou fim bem definidos. Aliás, esses modelos do processo de comunicação consideram, principalmente, os processos intelectuais, apesar de uma mensagem poder ter consequências de ordem emocional e produzir efeitos afetivos, para além dos comportamentais e dos cognitivos.
A comunicação é essencial à socialização, à aculturação e à formação-educação do indivíduo. É comunicando - entendendo-se, aqui, a comunicação como uma troca de mensagens e experiências com significado - que uma pessoa adquire consciência de si e dos outros e interioriza os comportamentos, os valores, as normas, os conhecimentos (etc.) e os seus significados na sociedade e na cultura em que se insere. Os processos de produção, reprodução e transmissão sociais e culturais dependem, assim, da comunicação.
Há várias modalidades de comunicação. Por exemplo, fala-se de comunicação coletiva ou social quando a comunicação se dirige a um conjunto numeroso e heterogéneo de pessoas, sendo, normalmente, desenvolvida por profissionais da produção de conteúdos e veiculada pelos meios de comunicação social (mass media). Há quem designe este tipo de comunicação por comunicação de massa, mas a noção de massa parece ser dissonante da ideia de um conjunto de recetores individuais na sua personalidade, emotividade, inteligência, reações, etc. A comunicação interpessoal, por seu turno, abarca a comunicação interpessoal propriamente dita (ou seja, a comunicação direta entre pessoas), a comunicação intragrupal e intergrupal e a comunicação nas organizações, entendida a organização como sendo composta por grupos. Podemos falar também de comunicação não-verbal para designar as formas de comunicar que não passam pela palavra. Este conceito é, todavia, tão amplo, que não só admite imensas submodalidades (por exemplo, a comunicação gestual), como também se revela inadequado. Prosseguindo, poderíamos falar da comunicação verbal, da comunicação antissocial, etc., mas estaríamos apenas a referir um conjunto infinito de modalidades através das quais partilhamos e trocamos informações, experiências, conhecimentos, ideias, valores, bens, serviços, sensações, emoções, etc.
A 15 de novembro, comemora-se o Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa.
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