Comunicação e Hominização

De todas as características que distinguem os seres humanos dos primatas, a linguagem falada é sem dúvida a mais importante.
A linguagem é a grande ausente da Pré-História. Em certos animais existem sistemas de comunicação oral e com uma certa complexidade dos primatas antropoides. Mas estes sistemas de comunicação diferem profundamente da linguagem humana atual. A linguagem que caracteriza hoje o Homo sapiens é profundamente diferente das emissões vocais: é a linguagem de dupla articulação, a articulação fonológica (articulação de vários sons para constituir uma palavra) e a articulação gramatical (articulação de várias palavras para produzir uma frase). A última diferença diz respeito ao aparelho fonológico em si mesmo: a laringe humana está numa posição mais abaixo do que a dos outros primatas. A importância da cavidade da faringe e a grande mobilidade da língua permitem uma modificação rápida das emissões vocais e a produção de sons bem mais variados e mais rapidamente contrastados que nos outros primatas vivos. A questão não é a de encarar uma "evolução" da linguagem humana a partir de sistemas de comunicação vocais conhecidos nos primatas.
A aproximação biológica procura antes, através do estudo de outros ossos, indicações do grau de desenvolvimento dos órgãos da linguagem (neocórtex, cavidade bocal e faringe). Os resultados deste estudo são ainda um pouco incertos e algo contraditórios. Parece, no entanto, um dado adquirido que a emergência da linguagem articulada é um fenómeno progressivo cujas origens estão nos primeiros hominídeos.
Podemos estimar que com o Homo erectus,pelo menos, que utilizava técnicas de talhe algo complexas, seria utilizada uma forma de linguagem articulada. Mas esta só se torna uma certeza com o Homem moderno, traduzida pelo aparecimento da arte e do simbolismo.
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