Conde de Ficalho

Botânico português, Francisco Manuel de Melo Breyner nasceu a 27 de julho de 1837, em Serpa, e faleceu a 19 de abril de 1903, em Lisboa. Além dos diversos cargos que exerceu como Par do Reino e Mordomo da Casa Real, distinguiu-se como escritor e professor catedrático da Escola Politécnica de Lisboa, onde estimulou o estabelecimento de museus anexos. Apaixonado pela Botânica, foi diretor do Instituto Agrícola e fomentou o desenvolvimento e apetrecho do Jardim Botânico de Lisboa. Como homem de letras, notabilizou-se como escritor, foi amigo de Eça de Queirós, Ramalho Ortigão e Oliveira Martins e pertenceu ao famoso grupo dos Vencidos da Vida.
As suas obras versaram não só a botânica como também temas ligados à História de Portugal, como é o caso das Viagens de Pero da Covilhã, publicadas em 1898, onde Ficalho relata a viagem do emissário de D. João II, entrosando-a com pormenores históricos importantes. Da obra ligada à sua especialidade maior, a botânica (num contexto histórico), destacam-se: a Flora dos Lusíadas, de 1880; Memória da Malagueta de 1883, que deveria ser o primeiro de muitos títulos da coleção Plantas Úteis da África Portuguesa, que infelizmente não continuaram; Garcia de Orta e o seu Tempo de 1886, que serviu de preparação aos dois volumes de Colóquios dos Simples e Drogas da Índia, editados em 1891 e 1895. Deixou uma única obra de ficção, Uma eleição perdida (1888), conjunto de uma novela e cinco contos, ao tempo da sua publicação injustamente negligenciada pela crítica, integrável na tendência realista do conto regional.
Como referenciar: Conde de Ficalho in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-10-20 10:40:59]. Disponível na Internet: