Condição Operária

Surgindo o termo operário no século XIX, designativo dos prestadores de serviços de mão de obra, foi após a revolução de 1848 e com a propagação dos ideais socialistas que começaram a surgir associações operárias em Portugal que, na tradição das corporações medievais de mesteres, visavam a proteção dos pequenos trabalhadores contra o abuso dos patronatos. De facto, a revolução industrial causou uma proliferação de mão de obra nas cidades que chegou a tornar-se um sério problema social. Como a procura excedia a oferta de trabalho as condições proporcionadas aos trabalhadores eram na sua maior parte miseráveis, como aliás atesta a literatura da altura (destacando-se neste âmbito o escritor britânico Charles Dickens). Prolongou-se esta situação durante um largo período de tempo, uma vez que os trabalhadores eram sobretudo originários do campo e não possuíam a cultura e formação necessárias à melhoria do seu modo de vida. Com as associações e a ativa participação nestas de personagens dinâmicas, cultas e interessadas, como foi o caso de Lopes de Mendonça, Sousa Brandão, Vieira da Silva, José Fontana e Antero de Quental, publicaram-se periódicos informativos e incentivou-se a reivindicação de direitos.
Como referenciar: Condição Operária in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-12-15 11:10:15]. Disponível na Internet: