conhecimento comum

Alfred Schütz defende a tese do carácter intersubjetivo do mundo e do carácter intersubjetivo e socializado do conhecimento. Segundo ele, o conhecimento comum corresponde a uma realidade comum e partilhada, sancionada intersubjetivamente. O conhecimento comum, a compreensão partilhada do mundo, assentes numa "reciprocidade de perspetivas", dão-nos a realidade objetiva das coisas e permitem as rotinas da vida de todos os dias e as atividades organizadas em conjunto. Nesta medida, as coisas, os fenómenos, os acontecimentos e a realidade da vida quotidiana são o que as pessoas pensam que eles são.
No seguimento de Schütz, e da sociologia de orientação fenomenológica, Harold Garfinkel fala de um conhecimento comum das estruturas sociais. Segundo Garfinkel e Sacks, existe um carácter formal das atividades práticas (a sua regularidade, normatividade, tipicalidade, as suas propriedades de ordem, etc.), que possibilita que os atores, na sua vida quotidiana, realizem atividades organizadas, satisfazendo as suas expectativas recíprocas e conseguindo uma compreensão comum. O conhecimento comum, do mesmo modo que as convenções normativas, funciona, portanto, como recurso para a ação, permitindo, simultaneamente, a inteligibilidade desta.
As correntes construtivistas (Berger e Luckmann) - que destacam os modos de construção do real em todos os domínios da sociedade e fazem da realidade social um processo de construção permanente -, consideram que o conhecimento é resultado de uma construção comum, é socialmente construído e distribuído, e serve de recurso constantemente utilizado na vida quotidiana.
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