Constâncio II

Era filho de Constantino e de Fausta e chamava-se Flávio Júlio Constâncio. Entre os filhos de Constantino, foi o mais hábil e eficiente em matéria de governação. Nasceu a 7 de agosto de 317 e foi criado César por seu pai em 324. Em 333 instalou-se em Antioquia e em 335 desposou uma prima, filha do seu tio Júlio Constâncio (casou, depois, com Eusébia e Faustina, sucessivamente, da última das quais nasceu uma filha póstuma, Constância Póstuma).
Quando Constantino faleceu em maio de 337, segundo o seu testamento, Constâncio (que ainda tinha 19 anos) deveria ficar com o governo da parte mais rica do Império, o Oriente, ficando seu irmão mais velho, Constantino II, com a Bretanha, a Gália e a Espanha, e seu irmão mais novo, Constante, com a Itália, a África e a Panónia-Ilíria. Aos sobrinhos de Constantino, Flávio Júlio Dalmácio e Anibaliano, pertencia-lhes o governo, respetivamente, dos Balcãs e da Ásia Menor Oriental. Esta divisão do império criou uma série de desconfianças recíprocas e desentendimentos entre filhos e sobrinhos, tornando impossível a indispensável colaboração governativa entre eles. Mas parece que logo então Constâncio se terá convertido no homem forte do Império, o que se pode provar, em parte, por um massacre por ele provocado em Constantinopla, tendo exterminado por completo a fação dos tios (Flávio Dalmácio e Júlio Constâncio) e respetivos filhos (seus primos). Pouco depois, em 340, dá-se a eliminação de Constantino II, provavelmente a mando de Constâncio II. Constâncio continuou no governo do Oriente, ficando no Ocidente Constante, que aí se manteve até à usurpação de Magnêncio e à sua morte em 350, na Gália. Constâncio, nesse período, não deixou de se manter ativo militarmente, somando vitórias contra os Persas, não sem ter conhecido o sabor da derrota algumas vezes. Em 353, derrotou finalmente Magnêncio, usurpador, tornando-se único imperador. Em 351, tinha já atribuído o título de César a seu primo Galo, filho mais velho de Juliano. No entanto, em 354, depô-lo e condenou-o à morte. O título de César passaria depois para Juliano, aquando das invasões germânicas da Gália de 355, dando-lhe também o governo desta província. Constâncio, por seu turno, pôde regressar em 357 ao Oriente, onde gostava mais de estar. Antes porém, não deixou de celebrar um pomposo triunfo em Roma, ficando como memória desse evento um obelisco em sua honra na Cidade.
Os seus últimos anos de vida foram quase sempre ocupados por campanhas no Danúbio e na Mesopotâmia. De facto, em 361, enquanto se esforçava por debelar a tentativa de usurpação de Juliano, morreu subitamente, a 5 de outubro, minado por uma febre, não longe de Tarso (na Ásia Menor).
Constâncio não era uma figura marcada pela inteligência, antes pela tenacidade e por um apurado sentido do dever, que lhe permitiu dar ao Império 24 anos de governo estável e capacidade de fazer funcionar o sistema instaurado por seu pai, Constantino. Era uma personalidade dominada por uma obcessiva desconfiança de tudo e todos, que o fizeram cruel e duro e ofuscaram o seu reinado com inúmeros processos por alta traição sem provas consistentes. Ficou conhecido também por uma desmedida prodigalidade nas atenções dadas aos seus favoritos, superando em muito seu pai. Aumentou também a máquina burocrática romana e o pessoal do palácio imperial. Foi educado como cristão, ainda que cedo tenha abraçado o arianismo, de forma moderada todavia; opôs-se, por isso, a S. Atanásio, um "ortodoxo", com o objetivo de reconciliar a Igreja e unificá-la sobre a base de um credo ariano mitigado. Apesar do seu feitio duro e cruel, não deixou de, por via da religião, mostrar uma faceta de estadista equilibrado, quando cedeu às ameaças de guerra do seu irmão Constante, um ortodoxo fanático. Mas após a morte deste, logo perseguiu os orotodoxos, de forma a poder assenhorear-se das suas dioceses. Ainda que cristão, era, como todo o bom romano, supersticioso, tendo aprovado severas leis contra a magia e o paganismo, mandando igualmente destruir vários templos. Mas com a atribuição por si do cargo de César a Juliano, que nomeia seu sucessor, provavelmente na hora da sua morte, Constâncio favoreceu, indiretamente, um renascimento do paganismo.
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