Constantinopla III

Sexto concílio ecuménico, reunido em Constantinopla entre 680 e 681, convocado pelo imperador Constantino V, onde se condenou a memória do papa Honório I por se acreditar que era monotelista.
O imperador Constantino V do Oriente tinha proposto ao papa Dono o envio de uma delegação papal, composta por monges e bispos, a Constantinopla para que se realizasse um concílio ecuménico. Mas o dito pontífice entretanto faleceu, tendo o seu sucessor, Agatão, enviado então três monges, três apocrisiários (núncios apostólicos), três bispos e um representante do arcebispo de Ravena para a participação no 6.º concílio ecuménico. Este iniciou-se a 7 de setembro de 680, depois do imperador ter ordenado a convocação dos bispos do patriarcado de Constantinopla e do de Antioquia. As sessões deste concílio, reunido para a resolução dos problemas causados pelo monotelismo (consequência do monofisismo), deram-se no palácio imperial, na grande sala da cúpula. Daí que este concílio seja também conhecido como Trullano, uma vez que se realizou na sala com o nome de Trullo. Contudo, o motivo inicial do concílio perdeu alguma da sua relevância, visto que as sedes de Jerusalém e de Antioquia, cujos patriarcas eram os principais impulsionadores do monotelismo, tinham entretanto sido conquistadas pelos árabes, pelo que a Igreja pouco poderia intervir nestes locais. Foram, no entanto, condenados, na 13.ª sessão, aqueles que o concílio considerou muito influenciados por esta heresia, como os patriarcas Sérgio, Pirro, Paulo II e Pedro de Constantinopla, o papa Honório I de Roma, Teodoro de Faran e Ciro, patriarca de Alexandria.
Na sessão solene de encerramento do concílio foi então lida a declaração, que resumia também as resoluções dos anteriores concílios, de crença da existência de duas naturezas, uma divina e outra humana, na pessoa de Cristo, e não uma só, como defendiam os monofisitas e os monotelistas.
Todos os resultados foram sendo aceites pelo papa de Roma até à sua morte, mas o pontífice que lhe sucedeu, Leão, declarou que o erro do papa Honório I não era o de ter preconizado o monotelismo mas sim o de não o ter sabido refrear.
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