Constantinopla IV

Oitavo concílio ecuménico, reunido em Constantinopla, pela 4.ª vez, entre 869 e 870.
O último dos concílios ecuménicos realizados no Oriente e o último antes do Grande Cisma de 1054 foi convocado pelo papa Adriano II (867-882), que foi acolitado no conclave pelo imperador Basílio e por 102 bispos, três legados papais e quatro patriarcas. Iniciou-se em outubro de 869 e terminou em fevereiro de 870, ao fim de dez sessões. A causa principal deste concílio foi a negação por parte do papa Nicolau I (858-867) do reconhecimento de Fócio como patriarca de Constantinopla, que atingiu o cargo através da abdicação forçada de Inácio, seu antecessor. Fócio enviou então aos patriarcas orientais uma circular na qual disferia graves acusações ao papa e à Igreja latina, desde a inserção do Filioque (expressão latina que significa "e do Filho", afirmando que o "Espírito Santo procede do Pai e do Filho", acrescento ao credo de Niceia que os Gregos nunca aceitaram) à doutrina do Purgatório, entre outras matérias não aceites pelos orientais. Em 867 Fócio chegou mesmo a anatematizar Nicolau I. Pouco depois Basílio (867-886), imperador bizantino, destituiu Fócio do patriarcado de Constantinopla, que devolveu a Inácio.
Inácio e Basílio escreveriam depois ao papa Nicolau I a alertá-lo da necessidade de convocar um concílio para pacificar a situação eclesiástica e política no Oriente e legislar em torno da questão dos ícones, cuja proibição deixara sequelas na Igreja bizantina. A atitude de Fócio deveria ser analisada e penalizada pelo concílio, de igual modo. Mas quem responderá ao apelo será o futuro papa Adriano II (867-882), que convocou o IV concílio de Constantinopla. As grandes decisões assentaram na afirmação do primado de Roma em toda a Igreja, na condenação dos iconoclastas (os que se opuseram às imagens), a confirmação da legitimidade do culto das imagens e na declaração dos erros de Fócio, que esteve presente na quinta e sexta sessões, mas recusando sempre assumir qualquer culpa. A precedência dos cinco patriarcas foi também definida neste concílio: primeiro Roma, depois Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém.
Há a registar ainda o facto da Igreja oriental ainda hoje não considerar como ecuménico este concílio, já que afirma que o 8.º concílio foi um outro reunido por Fócio em Constantinopla em 879-880, que serviu para refutar tudo o que se decidira neste 8.º concílio de Constantinopla, o 4.º nesta cidade, em 869-870.
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