Contos Imorais

Coletânea de contos unidos pelo tema da imoralidade, publicada a 1890, onde Eduardo de Barros Lobo, assume os pressupostos do Realismo-Naturalismo, privilegiando a descrição e a explicação das motivações das personagens.

Os dois primeiros, "A Senhora Condessa" e "O Senhor Conde", formam, à semelhança do que acontecera em A musa loira, uma sequência, narrando a história de um marido que, tendo descoberto a traição da mulher, começa a amá-la de uma forma nova e perversa, não "apesar do adultério" mas "por amor do adultério", com "uma luxúria de fatigado, face a face com a excitação perversa da desonra conjugal".
"O primeiro amor", outra história de queda no vício, apresenta o caso de dois irmãos conduzidos ao incesto por uma série de determinismos: "a sua educação de crianças ricas e fidalgas no isolamento sistemático do conflito sexual, sem a lenta e progressiva iniciação familiar nas conveniências e distinções do amor", "o abandono das suas almas pelos pais, a educação isolada dos seus espíritos em fórmulas pedagógicas", "quem sabe se pela sugestão longínqua de alguma fatalidade do seu sangue o desconhecimento de barreiras morais e sociais".

Contudo, a sua "regressão à animalidade pré-histórica" é vista pelo autor como "um facto da matéria, sem crime, sem intenção, sem responsabilidade". O quarto conto, "O último amor", descreve o pesadelo fantástico de um marinheiro que imagina uma espécie de noivado do sepulcro celebrado com a filha do comandante do navio nas águas escuras do oceano.


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