Convento de S. Bernardo

O convento cisterciense de N. Sra. da Conceição de Portalegre, também designado por S. Bernardo, foi mandado fundar em 1518 pelo polémico bispo da Guarda (que acabou por ser excomungado) D. Jorge de Melo. A igreja foi sagrada no ano de 1572 pelo bispo de Portalegre D. André de Noronha.
No século XIX, aquando da secularização das casas religiosas, este convento foi utilizado como quartel militar e hoje é ocupado pela Guarda Nacional Republicana.
Ao contrário de outros monumentos, este edifício foi muito bem conservado. No século XVIII foi levantado um bonito portal barroco que dá acesso ao átrio conventual, com uma fonte e tanque em mármore no seu centro. A igreja surge ao fundo, com os corpos conventuais postos perpendicularmente.
O corpo central é fortemente marcado pela torre sineira, não se detetando qualquer preocupação de simetria. À esquerda da torre desenha-se um arco funcionando como arcobotante da torre e que parte das escadas exteriores. Segue-se a este um arco abatido, sobrepujado por dois andares e que permite o acesso à portaria. À direita, paralelo à torre, desenvolve-se um robusto contraforte que sustenta o arco do pórtico. As paredes do corredor, criado entre os arcos, mostram lambril azulejar azul e branco, onde são tratados temas bíblicos. Fronteiro à portaria rasga-se um portal renascentista, saído do cinzel do notável escultor francês Nicolau Chanterene. Este ostenta no tímpano do frontão as armas do fundador. A fachada cria um curioso efeito cromático na conjugação do branco dos panos com o tom ocre das cantarias dos cunhais, vergas e ornatos das janelas.
Interiormente, o templo apresenta cobertura em abóbadas de elegantes nervuras. Destaca-se a cobertura da capela-mor pelas suas dimensões. Nos fechos das abóbadas aparecem-nos representados os escudos da família dos Melos. O Convento de S. Bernardo encontra-se desprovido de toda a ornamentação e obras de arte, que se encontram à guarda do Museu-Biblioteca Municipal de Portalegre. Aqui encontra-se uma coleção de arte sacra que abrange os séculos XV a XVIII, constituída por marfins, sacrários, alfaias litúrgicas e porcelanas.
Neste contexto, na atual igreja o principal ornamento é o túmulo do fundador, o excomungado bispo D. Jorge de Melo, uma obra-prima renascentista de linhas clássicas, da autoria de Nicolau Chanterene. É trabalhado em mármore de Estremoz e apresenta uma estrutura de grandes dimensões: com mais de doze metros de altura por sete de largura. O bispo está representado em estátua jacente sobre arca tumular. Como cenário fundeiro aparece-nos, protegido por arco pleno, S. Joaquim e Santa Ana, ladeados por outras quatro esculturas (duas de cada lado), de santos inseridos em nichos. O arco, profusamente decorado, assim como todo o retábulo, é enquadrado por dois corpos formados por dois pares de colunas, também elas finamente ornamentadas. Nos intercolúnios abrem-se nichos com baldaquinos abrigando esculturas de santos. No coroamento do retábulo, inscrita em edícula, surge a representação da Assunção da Virgem Maria, enquadrada por delicada decoração fitomórfica e por homens erguendo taças e esferas. Possui ainda esta igreja, entre outras obras artísticas de relevo, um púlpito em mármore, também renascentista, bons painéis de azulejos do século XVIII, mostrando cenas da vida de S. Bernardo e composições florais, bem como excelentes trabalhos em ferro forjado. De realçar são também os mármores de Estremoz dos pavimentos, criando diferentes tonalidades ao ambiente.
Os coros, sobrepostos, são de diferentes níveis ornamentais. No coro alto exibe-se um belo cadeiral, excelentemente iluminado. O coro baixo surge atarracado, com pouca luz e dividido em três naves separadas por colunas toscas com o cadeiral setecentista na nave central. Interessante é também a sala do capítulo, com o frontal de altar revestido a bons azulejos do século XV e a excelente abóbada de caixotões. Os claustros são bem traçados, o maior, renascentista, com galerias de arcadas e fonte central cercada de bancos. O claustro menor é ao gosto manuelino, de arcos abatidos com capitéis naturalistas. Neste claustro surge ainda o lavabo, abobadado e com contrafortes chanfrados.
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