Convento de S. Francisco (Santarém)

Edificado extramuros do antigo burgo escalabitano, o convento franciscano da cidade de Santarém é uma obra de iniciativa régia e inscreve-se no universo da arte gótica, na linha da arquitetura despojada das Ordens Mendicantes. A sua volumetria ogival submergiu por completo o anterior templo românico do século XII.
A fundação do Convento de S. Francisco aconteceu em 1242 e foi patrocinada por D. Sancho II, arrastando-se as suas obras até ao século XIV, em pleno reinado de D. Fernando, monarca que fez deste cenóbio a sua última morada e que ordenou a realização de profundas reformas no coro alto e no claustro.
Após a extinção das ordens religiosas em 1834, o convento teve as mais díspares e ruinosas utilizações, servindo como refeitório para as tropas aquarteladas, enquanto os seus túmulos eram transformados em bebedouros para os cavalos. Para completar as depredações de que foi alvo, um terrível incêndio lavrou no seu interior em 1940. Presentemente, a Direção-Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais (D.G.E.M.N.) procede a profundas e demoradas obras de conservação e restauro das suas vetustas estruturas góticas. A fachada da igreja conventual é rasgada por um portal ogival de arquivoltas assentes em colunas capitelizadas, moldurado por elegante gablete.
O interior do corpo da igreja apresenta três naves divididas por arcos ogivais, assentes em colunas poligonais com capitéis de cariz vegetalista. As paredes da nave central são rasgadas por janelas góticas que iluminam o interior do templo. Em 1350, os dois primeiros tramos foram preenchidos por um coro baixo, cujo objetivo era o de servir como panteão de D. Fernando, túmulo trecentista que seria, mais tarde, transferido com o de sua mãe, D. Constança, para o Museu Arqueológico do Carmo, em Lisboa.
O coro é delimitado por uma arcaria assente em colunas com elegantes capitéis esculpidos com decoração de motivos fantásticos, vegetalistas, antropomórficos e zoomórficos, destacando-se no grupo destes últimos um episódio dos contos de Esopo, narrando a fábula alusiva à raposa e as uvas.
A igreja apresenta no lado da Epístola um arco ogival do século XIV, entrada da Capela de Sant'Ana e que albergou a arca tumular de Martim Afonso de Melo.
Do lado do Evangelho abre-se o antigo panteão dos Menezes, reformado em 1635 de acordo com uma linguagem própria da arquitetura maneirista de Pedro Nunes de Tinoco. Contudo, os túmulos desta nobre família estão, atualmente, no Museu Lapidar de S. João de Alporão.
Das várias dependências conventuais, o destaque vai para o interessante claustro trecentista, acrescentado nos finais do século XIV. A claustra é constituída por um só piso, abrindo-se as suas galerias por uma série de arcos apontados, geminados - variáveis em agrupamentos de dois ou três - e delimitados por poderosos contrafortes. As colunas possuem capitéis esculpidos com figuras humanas e fantásticas, motivos vegetalistas e geometrizantes. Numa das galerias do claustro notam-se sinais da reforma do gótico final, obra patrocinada por D. Duarte de Menezes e materializada em elegantes portais manuelinos com profusa decoração de cariz naturalista.
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