Convento do Louriçal

Fundado em 1630 por Soror Maria do Lado, as obras do Convento do Louriçal, em Pombal, só teriam início em 1690, terminando já no século XVIII, sendo autor do projeto o arquiteto João Antunes.
No entanto, a igreja do cenóbio só foi concluída no reinado de D. João V, segundo a planta do arquiteto Frei Manuel Pereira (1734-39).
O Convento do Louriçal foi dedicado ao Santissímo Sacramento e esteve em funcionamento até 1911.Seria depois ocupado pela Guarda Nacional Republicana e, no final do primeiro quartel deste século, foi vendido em hasta pública, sendo adquirido pelas monjas clarissas. Em 1958 ainda se realizou aqui uma cerimónia de votos solenes. O portal do Convento do Louriçal, em Pombal, desenvolve-se a partir de um vão retangular, moldurado, encimado por cornija curvilínea ressaltada, coroada de frontão curvo, albergando no tímpano um medalhão ovaloíde com uma representação do Santíssimo Sacramento a quem é dedicado o templo. Na fachada oposta mostram-se pedras de armas reais, enquadradas por volutas e vários caixilhos, quadrados e retangulares, dispostos alternadamente, de modo a envolver a porta.
O interior, de nave única, é coberto por teto pintado com a representação da Consagração da Hóstia. O cruzeiro é marcado por cúpula apainelada de cantaria, diminuindo os caixotões de dimensões até alcançar o fecho. A nave é forrada por painéis de azulejo joaninos até ao nível do entablamento. Estes repartem-se por dois pisos, no superior versam sobre temas da Paixão de Cristo, enquanto no inferior são narrados episódios da Vida de S. Francisco de Assis. A revestir o transepto encontra-se outro conjunto de painéis de azulejos barrocos, onde se tratam cenas da vida da fundadora, Soror Maria do Lado.
O altar-mor, altares colaterais e laterais sobressaem pelos seus retábulos setecentistas, trabalhados em mármores provenientes de Lisboa, de diferentes tonalidades - branco, negro, rosa, amarelo -, criando um excelente jogo cromático. Colunas com capitéis compósitos em jaspe e figuras de anjos formam os retábulos, realizados pelo conceituado mestre escultor João António de Pádua.
No coro alto, o destaque vai para os painéis de azulejos joaninos (azul e branco) e para uma imagem de Nossa Senhora do século XVIII. Na sacristia e locutório podemos apreciar outros azulejos setecentistas, de cariz vegetalista. Pelas diversas dependências conventuais são visíveis diversos azulejos de grande qualidade, tanto portugueses como holandeses.
O claustro é muito simples e tem ao centro uma fonte joanina. Em duas salas contíguas, conhecidas como santuário, guardam-se diversas obras de interesse. Entre a decoração de talhas douradas, encontramos uma estátua jacente de Nossa Senhora da Boa Morte, doada pelo rei D. José I e na sala de planta octogonal, fechada por cúpula, um bonito conjunto formado por seis pequenos altares policromos e um presépio do século XVIII.
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