Corneta do Diabo

A Corneta do Diabo aparece em Os Maias, de Eça de Queirós, como um jornal de maledicência e de escândalos. O narrador afirma que "na impressão, no papel, na abundância dos itálicos, no tipo gasto, todo ele revelava imundície e malandrice" e, nas palavras de Eusebiozinho, "É um jornal de pilhérias, de picuinhas... Ele já existia, chamava se o Apito; mas agora passou para o Palma; ele vai lhe aumentar o formato, e meter lhe mais chalaça..."
O Diretor e principal redator é Palma Cavalão, um jornalista corrupto. É nesta publicação que Dâmaso Salcede publica um artigo a satirizar a intimidade da relação de Carlos da Maia e Maria Eduarda. A suspensão da circulação deste número só é conseguida graças ao Ega e a um suborno de 100 000 réis.
Eça de Queirós, com o episódio de A Corneta do Diabo e mais tarde com o jornal A Tarde, retrata a parcialidade do jornalismo da época e mostra a corrupção quando o Palma Cavalão aceita, por dinheiro, denunciar o autor da carta comprometedora para Carlos.
O propósito queirosiano de denunciar a vida portuguesa da sociedade da época percebe-se também quando Carlos da Maia considera que "só Lisboa, só a horrível Lisboa, com o seu apodrecimento moral, o seu rebaixamento social, a perda inteira de bom senso, o desvio profundo do bom gosto, a sua pulhice e o seu calão, podia produzir uma Corneta do Diabo.
Como referenciar: Corneta do Diabo in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-08-18 08:28:50]. Disponível na Internet: