corridas no hipódromo (Os Maias)

As primeiras corridas de cavalos em Portugal ocorrem em Évora e datam de 1868. Cinco anos depois, organizam-se corridas em Sintra (na Granja do Marquês) e na Golegã. No ano seguinte, em 1874, constrói-se o Hipódromo de Belém e organizam-se corridas em julho e outubro.
Em 1875, o Clube Equestre, fundado em 1873, muda o nome para Jockey Club.
Em 1881, fazem-se as primeiras corridas nas Alamedas do Campo Grande, mas o entusiasmo popular é fraco. Dois anos depois extingue-se o Jockey Club. A "Sociedade Promotora de Apuramento de Raças Cavalares", que arrematara os bens do Jockey Club, ainda realiza algumas corridas, mas o público revela-se desinteressado. As últimas corridas de cavalos em Belém acontecem em 1893, acabando o Hipódromo em 1900.
O episódio das "Corridas no Hipódromo", em Os Maias, de Eça de Queirós, é uma verdadeira sátira ao desejo de imitar o que se faz no estrangeiro, por um esforço de cosmopolitismo, e ao provincianismo do acontecimento. As corridas permitem, igualmente, apreciar de forma irónica e caricatural uma sociedade burguesa que vive de aparências. Não faziam parte das tradições portuguesas como, por exemplo, as touradas, mas surgiram por imitação do que sucedia noutros países.
Eça de Queirós constrói este episódio para satirizar a mentalidade e o comportamento da alta burguesia lisboeta, onde se percebe um verdadeiro contraste entre o ser e o parecer. Toda a situação parece ridícula, pois o que se pretendia requintado não o era: falta entusiasmo pelo acontecimento, as pessoas apenas comparecem por ser mais um local social; falta gosto à assistência feminina, que "nada fazia de útil", e os homens surgem "numa pasmaceira tristonha", sem motivações visíveis.
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