Corrupção no COI

A notícia da presumível corrupção no Comité Olímpico Internacional (COI), nos processos de atribuição das organizações, surgiu como uma "bomba" a rebentar no seio da família olímpica, no dia 11 de dezembro de 1998. O suíço Marc Hodler, membro da comissão executiva do COI revelou ter recebido uma carta a denunciar que a candidatura de Salt Lake City à organização dos Jogos Olímpicos de inverno do ano 2002 concedeu benesses e bolsas de estudo em universidades americanas a familiares dos membros do comité.
A cidade americana conseguira a organização dos Jogos de 2002 no dia 16 de junho de 1995 por maioria absoluta na primeira volta das votações. Após a denúncia de Marc Hodler, o presidente do COI, Juan António Samaranch mandou, de imediato, abrir um inquérito para apurar as acusações de corrupção, que chegou a resultados escandalosos.
Como consequência, vários membros da organização foram expulsos e muitos outros ficaram sob investigação. O presidente e o vice-presidente da comissão organizadora dos Jogos de Salt Lake City, Frank Joklik e Dave Johnson, apresentaram a sua demissão e o antigo presidente da comissão de candidatura da cidade norte-americana, Tom Welch, admitiu terem sido feitos pagamentos a diversos membros do COI para favorecer Salt Lake City no momento das votações. Segundo as investigações, alguns dos delegados do COI em causa aceitaram favorecer Salt Lake City em troca de milhares de dólares, em dinheiro ou em prendas de valor extraordinário, como viagens, empregos, bolsas de estudo e ajudas em campanhas eleitorais. As primeiras vítimas da ação do Comité Olímpico foram Augustin Arroyo do Equador, Jean-Claude Ganga da República do Congo, Zein El Abdin do Sudão, Lamine Keita do Mali, Charles Mukora do Quénia e Sérgio Santander do Chile, os seis elementos do organismo, cuja expulsão foi recomendada pela comissão executiva do COI.
Mas não tardou a que as acusações de corrupção e troca de favores se estendessem a outras candidaturas olímpicas. A 20 de janeiro de 1999 o presidente do comité olímpico australiano admitiu que, na noite anterior à atribuição dos Jogos Olímpicos de 2000 a Sydney, ofereceu 35 mil dólares a dois elementos africanos do COI, caso a cidade australiana ganhasse a organização. Sydney acabou por derrotar a cidade chinesa de Pequim por apenas dois votos.
O diário The Wall Street Journal revelou um relatório confidencial do COI, que admitia ter diversas provas a comprovar o pagamento, em dinheiro ou presentes, a diversos membros do comité e a existência de agentes intermediários que conseguiram votos em troca de dinheiro. Apesar de todos os escândalos, o presidente do Comité Olímpico Intrenacional, Juan António Samaranch mostrou-se inflexível quanto a uma possível saída do cargo (para o qual foi eleito em 1980) e esclareceu, desde logo, que os Jogos Olímpicos de Sydney (2000), Salt Lake City (2002), e Atenas (2004) não estariam em causa.
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