Cortes de Leiria

Ao longo da Idade Média e alvores do Renascimento, os monarcas portugueses convocaram Cortes para Leiria por diversas vezes.
Em 1254, no reinado de D. Afonso III, as Cortes tiveram como tema principal a questão da quebra da moeda. Contudo, não é daí que resulta a sua importância histórica. O facto a reter foi o peso que no conclave tiveram os procuradores municipais. Assim ganharam os concelhos representação significativa, ao lado dos representantes do clero e da nobreza, perante o monarca. Reunidas de novo em Leiria em 1372, no reinado de D. Fernando, as Cortes foram marcadas por certa oposição dos populares aos desejos do rei, que pretendia aumentar a tributação para fazer face ao estado do erário e empreender guerra a Castela. Entre outros agravos, os representantes dos concelhos estavam descontentes com os impostos, que o monarca agravara sem os consultar, e com a alteração do valor da moeda. Dos registos ressalta a já aparente dependência do próprio rei perante as competências das Cortes.
Das Cortes de Leiria de 1376 pouco é conhecido. Sabe-se que nelas se tratou do casamento da infanta D. Beatriz, filha de D. Fernando, com D. Fradique, filho bastardo do rei de Castela.
Finalmente, D. Duarte convocou Cortes para Leiria em 1438. Nelas se tratou dum problema da maior monta: o resgate do infante D. Fernando, que fora capturado em Tânger e em troca de cuja libertação era exigida a entrega da praça de Ceuta. As opiniões mostraram-se divididas e não foi tomada qualquer resolução. O infante, como se sabe, acabaria por morrer no cativeiro.
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