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Covilhã

Aspetos Geográficos
O concelho da Covilhã, do distrito de Castelo Branco, localiza-se na Região Centro (NUT II) e na Cova da Beira (NUT III); ocupa uma área de 555,6 km2 e abrange 31 freguesias: Aldeia do Carvalho, Aldeia de São Francisco de Assis, Aldeia do Souto, Barco, Boidobra, Casegas, Covilhã (Conceição), Cortes do Meio, Dominguizo, Erada, Ferro, Orjais, Ourondo, Paul, Peraboa, Peso, Covilhã (Santa Maria), São Jorge da Beira, Covilhã (São Martinho) Covilhã (São Pedro), Sarzedo, Sobral de São Miguel, Teixoso, Tortosendo, Unhais da Serra, Vale Formoso, Verdelhos, Vales do Rio, Coutada, Cantar-Galo e Canhoso.
O concelho encontra-se limitado a norte pelo concelho da Guarda (distrito da Guarda), a sul pelo de Fundão, a este pelo de Belmonte, a oeste pelos de Pampilhosa da Serra e de Arganil (ambos do distrito de Coimbra) e a noroeste pelos de Seia e de Manteigas (ambos do distrito da Guarda).
O concelho da Covilhã apresentava, em 2005, um total de 53 663 habitantes.
O natural ou habitante de Covilhã denomina-se covilhanense.
Possui um clima mediterrânico, com influências continentais, sendo uma área de elevadas amplitudes térmicas anuais, devido às diferenças de altitude pela proximidade da cordilheira da serra da Estrela. No inverno, as temperaturas são baixas, atingindo, por períodos consideráveis, valores negativos.
Da rede hidrográfica destaca-se a ribeira da Carpinteira e a ribeira da Dagorda.
O edificado estende-se pelo flanco oriental da serra da Estrela a 700 m de altitude, em direção à Cova da Beira. Merece ainda referência a serra do Muradal.
Algumas freguesias do concelho estão incluídas no Parque Natural da Serra da Estrela (101 060 ha), essencialmente granítico, com largas manchas de xisto. A zona de planalto apresenta afloramentos rochosos, como as vigorosas fragas, rochedos e penhascos, blocos e depósitos de vertente ou cascalheiras. Coexistem inúmeros vestígios da ação glaciar, designadamente os vales em U do Zêzere e de Unhais, sucedendo-se os blocos erráticos, as moreias, os covões e os lagos e lagoas naturais. A altitude máxima da cordilheira, abrangida pelo parque, é de 1993 metros e a mínima é de 300 metros. Na fauna destacam-se o lobo, a lontra, o javali, a raposa, a fuinha, o texugo e a toupeira-de-água.

História e Monumentos
A existência de inúmeros castros e de postos de defesa comprova a passagem de vários povos da Pré-História por estas terras.
Os Romanos, após as lutas com os Lusitanos, habitaram a região, tendo existido aqui uma povoação romana, dada a existência de testemunhos por toda a parte e até na própria serra.
Em setembro de 1186, D. Sancho I outorgou-lhe foral.
Até finais do reinado de D. Sancho II, Covilhã foi por várias vezes palco de conquistas e reconquistas, sendo a capital do reino durante este período, aí se instalando, por várias vezes, o rei com a corte nestas terras.
No século XVI, Covilhã já seria conhecida como a "Estrada da Lã", havendo muitas indústrias artesanais, principalmente de lanifícios; foi contudo, recetiva à instalação de outras indústrias na região, de modo que, em 1681, se deu a instalação da fábrica-escola de lanifícios, pelo conde da Ericeira e, em 1763, da Real Fábrica de Panos, pelo marquês de Pombal.
A nível do património arquitetónico, destacam-se a Ponte da Degorda, localizada sobre a ribeira da Degorda; a Igreja românica de S. Martinho; a Igreja da Misericórdia, do século XVI, que possui um altar-mor com talha rica; a Igreja de S. Tiago, com torre altaneira de cúpula barroca, e o Convento de Santo António, também do século XVI.
Destaca-se ainda a Igreja de S. Francisco, do século XIV, de traços góticos, cujas paredes laterais receberam em meados do século XVI duas capelas tumulares com abóbadas artesoadas e estátuas jacentes.

Tradições, Lendas e Curiosidades
São muitas e diversas as manifestações populares e culturais do concelho, sendo de destacar a festa de Nossa Senhora de Fátima, no terceiro domingo de maio; o Dia da Vila, que decorre a 11 de julho; as festas da cidade, de 22 a 24 de junho; a festa de Nossa Senhora da Saúde, realizada no primeiro domingo de agosto; a festa de Nossa Senhora do Carmo, de 11 a 13 de agosto; a de Santo Aleixo, no terceiro domingo de setembro e a festa dos pastores, realizada a 29 de junho.
No artesanato, são típicos os bordados, as rendas, a trapologia, a pintura de cerâmica e azulejos, a ferraria e os trabalhos em madeira.
Na Covilhã conta-se uma lenda que está relacionada com o topónimo da cidade. Segundo a lenda, o conde D. Julião, governador de Ceuta, terá permitido a entrada dos Mouros em Portugal, por vingança, pelo facto de a sua filha ter sido seduzida e se ter enamorado por D. Rodrigo, o último rei dos Godos. D. Rodrigo morreu numa batalha contra os Mouros e a filha de D. Julião refugiou-se nos montes Hermínios. Pela sua argúcia e beleza mereceu o respeito dos Mouros e o nome de Cova. Seria do lugar de Cova Juliana ou Covaliana que terá resultado o nome da Covilhã.
O Museu de Lanifícios da Universidade e a Biblioteca Municipal são as instalações culturais de referência.
São naturais do concelho Pero da Covilhã, que foi viajante e capelão ao serviço de D. João II (séculos XV-XVI), e que participou na expedição de Vasco da Gama à Índia, tendo sido o primeiro mártir da Índia; o pintor Eduardo Malta (1900-1967) e o escritor Heitor Pinto (1528-1584), considerado um clássico da literatura portuguesa, cuja obra literária está expressa na Imagem da Vida Cristã.

Economia
Na Covilhã predomina o setor terciário (66,4% do total de empresas sediadas no concelho), sendo as mais importantes a atividade comercial e os serviços de turismo, ligados ao termalismo, à habitação e à hotelaria.
A indústria, nomeadamente de lanifícios, têxteis, construção civil, serração de madeiras e de serralharia, tem também um peso muito significativo na economia concelhia (representa 30,1% das empresas existentes por setores de atividade).
A agricultura é importante nas freguesias periféricas, tendo a nível da sede de concelho uma menor importância, com um dos valores mais baixos no que se refere à percentagem de empresas sediadas (2,9%). A área agrícola abrange 15 316 ha, sendo as principais culturas a vinha, a horta familiar, o olival, os cereais para grão, os prados temporários, as culturas forrageiras e os frutos frescos.
Em complementaridade com a agricultura, a pecuária regista também alguma importância na criação de aves, nomeadamente galinhas poedeiras e reprodutoras, coelhos e suínos.
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