crack

O crack é um estupefaciente recente, tendo começado a surgir nos circuitos de venda da rua em 1990.
Esta droga é um derivado sintético da cocaína, constituindo-se como uma base obtida por processamento químico da pasta da coca, sem um refinamento final, e misturada com bicarbonato de sódio. Apresenta-se mais concentrado e com maior quantidade de impurezas - logo, mais nocivo - que a cocaína em forma cristalina. O crack é insolúvel em água, apresentando-se em pequenas pedras (até 2cm), sendo consumido por aspiração de vapor (sublima quando aquecido), através do uso de cachimbos artesanais, colocados em cúpula sobre a pedra.
A aspiração do crack leva-o a entrar imediatamente em contacto com o tecido do pulmão, órgão intensamente vascularizado, o que permite que o princípio ativo da droga seja rapidamente conduzido ao cérebro, onde produz resultados cerca de 15 segundos após a aspiração. Devido ao facto de o crack ser mais concentrado que a cocaína, os efeitos são muito mais rápidos e intensos do que com o consumo desta, produzindo sensações semelhantes, como euforia, conjugada com uma sensação de prazer e de poder. No entanto, a duração da ação da droga é muito mais reduzida (de 5 a 15min.), seguindo-se uma depressão profunda e grande mal-estar. Esta combinação de factos leva a que os indivíduos façam consumos repetidos e muito frequentes, gerando-se rapidamente uma dependência física e psicológica do crack - alguns consumidores manifestam dependência logo após a primeira aspiração.
Por forma a satisfazer a necessidade de consumo, bem como os elevados custos financeiros, o consumo de crack surge associado a grande percentagem de roubos e crimes, únicas formas do toxicodependente obter rapidamente grandes quantidades de dinheiro.
Para além do estado de hiperatividade e excitação, o crack produz insónias, perca de apetite e ausência de cansaço, o que origina desnutrição e emagrecimento rápido. Os consumos continuados e frequentes, com aumento de quantidade consumida por forma a manter os mesmo níveis de prazer, levam ao surgimento de depressões, desinteresse sexual, comportamentos violentos e instáveis, paranoia e alucinações, juntamente com alterações várias do sistema nervoso central e cárdio-respiratório, sendo frequentes danos pulmonares e expetoração preta, devido à aspiração de fumo quente.
Os consumidores de crack são facilmente identificáveis, já que, ao fim de cerca de um mês de consumo, desenvolvem comportamentos associais, perdendo todas as preocupações, exceto as associadas à obtenção de droga, desleixando, por completo, até mesmo a higiene pessoal mínima.
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