Crasso

Nasceu em 115 a. C. no seio de uma família nobre antiga. Seu pai foi morto aquando do massacre ordenado por Mário em 87 a. C., o que fez com que Marco Crasso tivesse que fugir para a Hispânia antes de 85 a. C., onde recrutou entre os clientes da sua família um considerável exército privado. Assim, pôde em 83 a. C. unir-se a Sila (ou Sula) para derrotar Mário. A sua famosa colossal riqueza era constituída em grande parte por propriedades de que tinha tomado posse durante as expropriações de Sila, que o ajudaram a recuperar e consolidar o seu poder político nos anos 70. Provavelmente em 73, durante a ditadura de Sila, conseguiu o cargo de pretor, observando desde então com apreensão e uma certa inveja a meteórica ascensão de Pompeu na vida romana.
Nessa década de 70, a península itálica viu-se a braços com um dos piores flagelos da história romana, que causou um estertor e pânico profundos por todo o lado: a insurreição, pilhagens e matanças de proprietários e colonos por Espártaco, escravo trácio sublevado à frente de um verdadeiro e temível exército de seus companheiros de escravidão. Crasso, depois das clamorosas e vergonhosas derrotas de dois cônsules romanos e respetivos exércitos, recebeu em 72 o comando proconsular de seis legiões com o objetivo de aniquilar a revolta. Esta era mais aflitiva e preocupante na Itália meriodional. Crasso demorou seis meses de ferro e fogo para acabar com a sublevação, tendo na primavera de 71 concluído as operações com a crucifixão de 6 000 escravos revoltados ao longo da Via Ápia para exemplo dos vindouros. Também entrou em Roma em triunfo.
Pompeu, que tinha regressado da Hispânia, apenas derrotou um pequeno grupo de escravos de Espártaco que tinha fugido para o Norte, não deixando de se vangloriar, porém, por ter sido ele, dizia, a concluir o processo de esmagamento dos revoltosos, afirmando que Crasso deixara a obra incompleta, o que indignou e encolerizou este último. Ambos acabaram por ser eleitos cônsules em 70, apesar de serem inimigos figadais. Todavia, não deixaram de colaborar na revisão da constituição de Sila e na restauração do poder tribunício. Crasso colaborou com Pompeu para que este não ficasse em exclusivo com os méritos de tais reformas.
Desde 67 a. C. que a sua única preocupação foi a de diminuir a crescente e excessiva influência de Pompeu (então no Oriente com poderes ilimitados) na vida romana, recorrendo a táticas pouco ortodoxas para controlar os mecanismos de Estado e conseguir, se possível, um imperium idêntico ao do seu arquirrival. Mas também usou métodos "democráticos" para se manter nos círculos do poder em Roma, mas as suas alianças com Júlio César, Catilina e Rulo afastaram-no dos seus setores mais poderosos. Outras derrotas políticas, porém, surgiriam: por exemplo, quando era censor em 65 tentou, em vão, estender a cidadania romana à Gália Transpadana (a norte do rio Rubicão), fracasso causado pela oposição de Catulo, seu parceiro de magistratura. Aproximou-se depois de Catão, para contrariar as exigências de Pompeu, mas o Senado, por sua vez, recusou-se a acolher favoravelmente as suas petições a favor dos publicani da Ásia.
Assim, em 59 a. C., foi persuadido por César a firmar um pacto de colaboração provisória com Pompeu (o primeiro triunvirato), tendo sido induzido a renová-lo em 56 a. C. para impedir uma eventual coligação de Pompeu com outras fações adversas a César. Obteve, no entanto, um segundo consulado (55 a. C.) e um importante comando militar contra os Partos, cargo de que necessitava para conseguir o prestígio político que ambicionava. Esperançado em conquistar a glória, em 53 a. C. invadiu o império dos Partos, mas acabou por ser derrotado e morto ao fim de poucos meses.
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