crawling peg

A taxa de câmbio entre duas moedas de dois países é uma variável macroeconómica muito importante, na medida em que as suas variações se relacionam com as variações em muitas outras variáveis-chave, como sejam a inflação, a taxa de juro, a balança de pagamentos, etc. Como exemplo pode ver-se a questão da inflação: o aumento da taxa de câmbio de uma moeda nacional face a uma estrangeira (desvalorização da moeda nacional, na medida em que se torna necessário possuir mais desta moeda para adquirir uma unidade de moeda estrangeira) implica que se torne mais cara a aquisição de produtos vindos do país estrangeiro, facto que, num país dependente comercialmente, se possa verificar um aumento significativo e generalizado dos preços (inflação). Naturalmente que efeitos no sentido inverso também se verificam, na medida em que aumentos na inflação criam pressões nos mercados cambiais.
Tendo em conta a importância das taxas de câmbio, os países, isoladamente ou em conjunto, podem adotar sistemas de taxas de câmbio diversos-designadamente consoante o grau de intervenção que é permitido às suas autoridades monetárias. Neste contexto, existem duas situações-limite: o sistema de taxas de câmbio totalmente flexíveis (em que o valor das taxas de câmbio deriva apenas da relação entre a oferta e procura de moeda nos mercados cambiais) e o sistema de taxas de câmbio fixas (em que é fixado um determinado valor para as taxas de câmbio por parte das autoridades competentes, sem que as regras do mercado interfiram).
Entre as duas situações-limite referidas existe um alargado conjunto de possibilidades de estabelecimento de um sistema de taxas de câmbio, com mecanismos e características bastante diferentes. Um desses sistemas possíveis é o denominado crawling peg, que corresponde a uma situação em que a definição das taxas de câmbio é feita através do normal funcionamento do mercado, mas com limites estabelecidos pelas autoridades monetárias. Mais concretamente, o crawling peg baseia-se em três aspetos essenciais: definição, por parte das autoridades monetárias, de um valor central de referência para a taxa de câmbio com base no seu comportamento num determinado período de tempo anterior (normalmente algumas semanas ou meses); definição de novo por parte das autoridades de um intervalo (ou banda) de variação da taxa de câmbio, entre dois valores de suporte (um superior e outro inferior), centrado no valor central definido; liberdade de flutuação da taxa de câmbio dentro do intervalo definido pelo valor central e pelos valores de suporte.
O funcionamento prático do crawling peg passa assim pela definição sucessiva de novos valores centrais sempre que o valor da taxa de câmbio atinge ou se aproxima de algum dos limites do intervalo supracitado. Quando tal acontece, as autoridades monetárias avaliam a performance da taxa de câmbio no período imediatamente anterior e escolhem o novo valor central e por consequência os novos valores de suporte a partir do valor médio daquela nesse mesmo período. Este processo é sistemático, pelo que o número de intervenções das autoridades depende do número de vezes que a taxa de câmbio se aproxima ou atinge os valores de suporte.
A implementação de um sistema de crawling peg permite, por um lado, a criação de um ambiente de previsibilidade relativamente à evolução das taxas de câmbio no curto prazo, ao mesmo tempo que, tendo em conta a sua adaptabilidade, não interfere significativamente com as expectativas dos agentes relativamente a essa evolução no médio/longo prazo.
De referir, ainda, que a (re)definição das bandas de variação pode ser feita, alternativamente à utilização da flutuação anterior da taxa de câmbio, a partir de igual flutuação na taxa de inflação ou da balança comercial.


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