Crise de 1383-1385

Crise dinástica - período também conhecido por Interregno - que sobreveio após a morte de D. Fernando a 22 de outubro de 1383.
De acordo com o contrato nupcial da princesa D. Beatriz, após a morte do rei, assumiu a regência do reino D. Leonor Teles. Esta, a pedido do seu genro, D. João I de Castela, expediu cartas em que determinava que se aclamassem como reis de Portugal D. Beatriz e D. João de Castela. O povo, porém, amotinou-se e mostrou preferência pelo infante D. João, filho de D. Pedro e D. Inês de Castro. O movimento revolucionário popular eclodiu apoiado pela burguesia e tendo como líder Álvaro Pais, apesar de este não ser propriamente um burguês. As aspirações do povo a um rei português levaram a que essa personalidade fosse encontrada em D. João, mestre de Avis, filho bastardo de D. Pedro e de Teresa Lourenço. A 6 de dezembro, o mestre de Avis fere mortalmente o conde Andeiro, amante de D. Leonor Teles, e ainda durante este mês é pelo povo nomeado defensor e regedor do Reino. D. Leonor Teles foge para Alenquer e depois para Santarém, de onde solicita auxílio ao genro. D. João de Castela invade Portugal em janeiro de 1384, e, no dia 12 deste mês, chega a Santarém. A 8 de fevereiro enviou os primeiros homens encarregados de iniciarem o cerco à cidade de Lisboa. A cidade foi resistindo a este cerco e, a 3 de setembro, D. João I de Castela levantou o arraial devido à peste que grassava entre os seus homens e tinha já atingido a rainha. Entretanto, no Alentejo, D. Nuno Álvares Pereira vencia os castelhanos na Batalha de Atoleiros, graças a inovações na técnica de combate. Depois de levantado o cerco a Lisboa, o mestre de Avis foi submetendo vilas e cidades até chegar, em 3 de março de 1385, a Coimbra. O mestre de Avis foi aclamado rei de Portugal em Cortes celebradas na dita cidade de Coimbra a 6 de abril de 1385.
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