Crise do Afeganistão

No final da década de sessenta, a monarquia afegã conhecia um período de grande instabilidade, sucedendo-se as tentativas de golpe militar e os confrontos entre as forças leais à monarquia e os republicanos, como o príncipe Daud, que liderou uma série de tentativas de golpe republicano nessa época. Em 1968, o rei Zahir, numa tentativa de acalmar os ânimos e restaurar a harmonia com Daud, fez-lhe uma série de concessões. No entanto, em 1973 Daud tomou o poder, depôs o rei e proclamou a República do Afeganistão. Em 1977 foi aprovada uma Constituição republicana e Daud foi eleito presidente. Nomeou um gabinete civil, que dirigia, e manteve a política de não alinhamento que o país vinha seguindo há alguns anos. Contudo, as clivagens e os graves problemas políticos não foram erradicados. Em abril do 1978, Daud foi morto na sequência de um violento golpe de Estado. Os novos governantes, organizados num Conselho da Revolução, liderado primeiramente por Noor Muhammad Taraki e depois por Hafizullah Amin, suspenderam a Constituição e iniciaram um programa inspirado naquilo a que chamavam "socialismo científico". Este facto causou enormes perturbações e levou à formação de grupos armados contra o novo regime e à eclosão de guerras de guerrilha em algumas regiões. Entre os grupos resistentes, destacou-se o dos muçulmanos radicais, recrutados sobretudo entre as tribos de montanha, que passaram a atacar sistematicamente colunas e postos militares. Incapazes de conter a rebelião, já transformada numa verdadeira guerra civil, Taraki e Amin solicitaram ajuda à União Soviética que, a partir de então, passará a intervir militarmente no Afeganistão.
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