cristalização dos magmas

O processo de cristalização de um magma é muito complexo. Ao baixar a temperatura do magma, podem distinguir-se as seguintes fases:
1. Fase ortomagmática - Começam a cristalizar os minerais de mais elevado ponto de fusão, que, geralmente, são os mais densos e escuros. A temperatura do magma pode baixar aos 500 oC;
2. Fase pegmatítico-pneumatolítica - Ocorre a cerca de 500 oC, temperatura a que o quartzo e a ortóclase cristalizam simultaneamente. No líquido residual concentram-se os componentes voláteis e, ao aumentar, a pressão penetra nas zonas periféricas, originando nas rochas confinantes uma auréola de metamorfismo de contacto; 3. Fase hidrotermal - Formam-se soluções hidrotermais (soluções aquosas a alta temperatura) entre a água e os outros compostos solúveis do magma (CO2, F, Cl, Br, etc.). Estas soluções, devido à pressão do vapor de água, ascendem através de fraturas e planos de estratificação das rochas confinantes, dando origem, por vezes, a formações filonianas na periferia dos batólitos graníticos.
Os minerais são fases sólidas estáveis em determinadas condições de pressão e temperatura. À medida que um magma ascende até à superfície da crosta terrestre, vai arrefecendo e variando as condições de pressão e temperatura. Estas alterações provocam variação nas condições do estado físico-químico dos seus componentes, diferenciando-se minerais para cada intervalo de pressão e temperatura. Como consequência, em qualquer momento da cristalização magmática, coexistem uma fração sólida constituída por minerais formados num intervalo de pressão e temperatura e uma fração líquida residual. Daí o considerar-se a cristalização magmática como uma cristalização fracionada.
Estas frações magmáticas têm composição química diferente, ainda que na totalidade reproduzam a composição do magma inicial. Como as frações existentes ainda são reativas entre si, podem diferenciar-se e separar-se por vários mecanismos. Assim, pode ocorrer:
a) Diferenciação por gravidade, quando os cristais formados a alta pressão e temperatura, que são os primeiros a formarem-se, são, em geral, mais densos que a fração residual do magma e tendem a concentrar-se no fundo da câmara magmática;
b) Diferenciação por compressão, que admite que os cristais formados não se depositam por gravidade no fundo da massa magmática, antes formando uma malha ou rede de cristais já consolidados, entre os quais se formam outros cristais por compressão dos componentes fluidos do magma. Este mecanismo pode explicar as massas cristalinas segregadas e os filões que se formam na periferia de uma massa plutónica;
c) Diferenciação por difusão térmica, que ocorre quando no interior da massa magmática existem deferenças de temperatura, que provocam movimentos de convecção na massa magmática, o que faz com que os materiais dissolvidos se concentrem na zona de mais alta temperatura e os minerais cristalizados se concentrem na zona de menor temperatura.
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