Cristina Branco

Fadista e cantora nascida em 1973, em Almeirim. Destacou-se na interpretação de fados do reportório de Amália Rodrigues e de composições originais escritas pelo seu marido, o compositor e guitarrista Custódio Castelo. Em todos os seus álbuns, há uma forte ligação entre música e a poesia.
Apesar de viver no Ribatejo, terra de grandes tradições do fado marialva, em criança e na adolescência Cristina Branco nunca se interessou muito por aquela música. Preferia os ritmos quentes do jazz e da música brasileira. Até que um dia, o avô lhe mostrou um disco de Amália. Ficou deslumbrada. Contudo, não pensou em tornar-se fadista nem sequer cantora profissional. Inscreveu-se num curso de Comunicação Social. Certa vez, numa taberna em Almeirim, sentiu um impulso e foi cantar. Apesar de não conhecer nenhum fado completo, a sua voz convenceu os guitarristas. E ela passou a interessar-se mais pelo canto.
Um dos guitarristas que a apadrinhou foi Custódio Castelo, com o qual viria a casar-se e um dos grandes guitarristas e compositores de fado do nosso país, na altura ainda em início de carreira, e também ele natural de Almeirim. Outra feliz coincidência foi José Melo. O fotógrafo e presidente do Círculo de Cultura Portuguesa na Holanda (CCPH) apreciou a sua prestação no programa Praça da Alegria, na RTP 1, e convidou-a a dar um concerto em Amesterdão.
De resto, os concertos do Zaal 100, acabaram por resultar no primeiro álbum de Cristina Branco, In Holland (1998). Um disco de circulação restrita editado pelo próprio Círculo de Cultura Portuguesa. No ano seguinte gravou, também na Holanda, pela MW, o seu primeiro álbum de estúdio, Murmúrios. Foi aclamado pela crítica, recebendo o prémio Choc de l'Anée du Monde de la musique, na categoria de World music. O álbum contém alguns clássicos de Amália, versões inesperadas de "As Certezas do meu mais brilhante amor" (Sérgio Godinho) e "Pombas Brancas" (José Afonso), e composições de Custódio Castelo para poemas de Camões, Fernando Pessoa, Maria Duarte, entre outros.
No ano 2000, dois álbuns: Post-Scriptum (L'empreinte Digital) e O Descobridor (CCPH). O primeiro valeu-lhe novamente o prémio do Monde de la Musique. Tem como convidados especiais Jorge Fernando, Miguel Carvalhinho e João Paulo Esteves da Silva, e volta a cantar Amália e poetas como David Mourão-Ferreira, Miguel Torga e Maria Teresa Horta. O segundo é uma homenagem ao poeta holandês Jean Jacob Slauerhof, que conheceu Fernando Pessoa e traduziu Camões. Todas as músicas são da autoria de Custódio Castelo e a tradução é de Maria Vidal Paletti. O álbum foi muito bem-sucedido na Holanda, chegando a disco de platina.
Apesar do sucesso internacional, com concertos, prémios e milhares de discos vendidos, sobretudo na França e no Benelux, Cristina Branco até aqui permanecia relativamente desconhecida em Portugal. O seu álbum Corpo Iluminado, editado em 2001 pela Universal France, foi, na verdade, o primeiro a sair no nosso país. E só a partir desse momento Cristina Branco se tornou num dos mais badalados nomes da chamada nova geração de fadistas. Corpo Iluminado obedece ao esquema dos álbuns anteriores: Amália e muita poesia com poemas de Camões, Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner ou David Mourão-Ferreira.
Em 2003, Cristina Branco arriscou Sensus, um álbum conceptual totalmente dedicado à poesia erótica. Composto quase na sua totalidade por Custódio Castelo, contém 14 poemas de autores como Vinícius de Moraes, William Shakespeare, Baltazar Estaco, Galisteu Fernandiz ou Eugénio de Andrade. Dois anos depois, Ulisses, um álbum de viagens, em que se afasta bastante do fado, cantando temas em português (de Portugal e do Brasil), espanhol, francês e inglês. É também um retrato da sua carreira internacional, com concertos em terras distantes, como Austrália, Japão, Estados Unidos, Canadá, vários países da América do Sul e alguns países africanos.
Cristina Branco, que sempre disse "canto o fado mas não sou fadista", é uma das mais internacionais cantoras portuguesas e uma grande divulgadora da poesia.
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