Cultura e Comércio do Café no Brasil

Em 1712 Francisco Mello Palheta, após uma estadia nas Guianas Francesas, onde o café era cultivado em exclusividade, trouxe para o Brasil umas mudas de café. A cultura do café adaptou-se com êxito aos ricos solos brasileiros e, em pouco tempo, revelou-se uma fonte de riqueza para o país. Do Pará passou para o estado do Rio de Janeiro, em 1781 e depois para o Vale do Paraiba e São Paulo. Nos últimos vinte anos do século XIX, o Brasil passou a ser o maior produtor mundial de café.
O êxito da cultura do café teve origem em vários fatores, entre os quais o solo e o clima favoráveis do Brasil, mas igualmente à existência de uma infraestrutura económica assente na escravatura. A rápida adesão da Europa a esta bebida, que já era conhecida desde o século XVI, mas só agora popularizada, contribuiu para a prosperidade do Brasil durante o Segundo Império e a Primeira República.
A cultura do café, ao contrário da cultura de cana-de-açúcar, não necessitava de um investimento inicial de vulto. Os equipamentos de base eram os tanques para a lavagem do café, os terreiros para espalhar o grão e máquinas para decorticação e triagem. O café é uma cultura anual e requer uma mão de obra abundante para o cultivo, colheita e preparação dos campos para a nova safra. Em relação ao ciclo do açúcar, a grande diferença, residia não só no facto dos fazendeiros serem igualmente homens de negócio, mas também no facto do Brasil ser um país independente, com uma dinâmica própria. Introduzido o cultivo do café no Pará no século XVIII, na primeira metade do século XIX, já chegara ao litoral Rio de Janeiro, Angra dos Reis e Parati bem como São Paulo, mas foi no Vale do Paraíba que encontrou condições excecionais de clima e solo para prosperar. Durante 50 anos, de 1830 a 1880, a economia brasileira apostou na cultura do café que tinha colocação assegurada no mercado internacional. Para além de dinamizar a economia, com a criação de bens e serviços, o café levou à construção de caminhos de ferro, portos marítimos e ao desenvolvimento urbano.
Mas a cultura do café tinha aspetos menos favoráveis. Assentava sobre o latifúndio e o trabalho escravo, produzia para o mercado externo e estava nas mãos de uns quantos homens influentes que também controlavam a política do país. Mas, talvez o aspeto mais negativo de todos, era o facto da cultura do café esgotar os solos e ser necessário desbravar novas terras em pouco tempo. Do Vale do Paraíba, com o seu terreno acidentado passou-se para o Oeste Paulista de extensos planaltos.
O ciclo do café implicava mais do que o seu cultivo. O café depois de sair da fazenda era levado para um armazém, a Casa Comissionária, onde aguardava pela venda para o estrangeiro. Este negócio podia estar nas mãos de estrangeiros, portugueses ou brasileiros, por vezes eles mesmo produtores. Estes intermediários cobravam taxas e financiavam a nova plantação com juros. Mas, a atividade mais lucrativa era sem dúvida a venda do café no mercado externo.
As dificuldades económicas de países como os Estados Unidos da América, por volta do fim do século XIX, fizeram-se sentir no Brasil. Ao mesmo tempo, as boas safras desses anos, produziram um excedente de café cada vez maior. Entre 1889 e 1891, o governo brasileiro tomou medidas para contrariar a queda dos preços e incentivar a contratação de assalariados, pois a escravatura fora abolida. Em 1906 a crise atingiu proporções insustentáveis e os governos dos principais estados produtores de café, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais reuniram-se para deliberar. O Convénio de Taubaté estabeleceu regras essenciais para a economia do café como, um preço mínimo para a saca de café ou a proibição de novas lavras. Negociou-se também um empréstimo bancário. Os efeitos fizeram-se sentir três anos depois, mas o resultado foi o endividamento do Brasil à banca e o enriquecimento dos intermediários, quase todos eles estrangeiros.
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