curva ABC

Uma das áreas funcionais que existe normalmente numa empresa é a chamada função aprovisionamento, que tem a seu cargo, genericamente, a disponibilização dos bens e serviços necessários e adequados ao seu funcionamento na quantidade, qualidade, timing e segurança ideais. Mais concretamente, o aprovisionamento dedica-se a duas tarefas fundamentais: a organização das compras (aspetos como a política de fornecedores, a decisão de compra, etc.) e a gestão de stocks. A gestão de stockspode por sua vez ser analisada sob três perspetivas fundamentais: gestão material (custos de armazenagem, movimentação dentro do armazém, etc.); gestão administrativa (suportes documentais adequados, etc.); gestão económica dos stocks(avaliação e controlo dos investimentos em stocks, custos de stockagem, ruturas de stocks, quantidades a encomendar, ponto ótimo de encomenda, etc.).
A nível da gestão económica de stocksé muito utilizada a curva ou análise ABC, que se assume como um instrumento importante ao nível da eficiência da gestão de uma empresa.
A utilização da curva ABC parte de um raciocínio básico: nos casos em que se verifica a existência de um elevado número de artigos e unidades de artigos nos armazéns, a gestão deve prestar maior atenção àqueles que se revelam de maior importância, designadamente em termos de valor financeiro investido. Este raciocínio tem por sua vez base na denominada Lei de Pareto ou Lei dos 80 x 20, aplicável aos clientes, segundo a qual a cerca de 20% dos clientes corresponde cerca de 80% da faturação e, portanto a primazia deve ser dada aos referidos 20%. Assim, a utilização da análise ABC tem como objetivo a afetação a um número reduzido de artigos (definido a partir de um critério preestabelecido) da maioria dos recursos de gestão no sentido de obter resultados mais positivos do que optando por distribuir uniformemente os referidos recursos por todos os artigos, sendo certo que alguns têm importância muito reduzida e, portanto, implicariam a incorrência em desperdícios injustificados.
A realização da análise ABC traduz-se concretamente na criação de três classes de artigos (A, B e C), sendo a divisão efetuada a partir da consideração, por ordem decrescente, dos consumos anuais de cada um dos artigos, primeiro de forma autónoma e depois de forma acumulada.
A partir da definição de um critério de delimitação das classes (por exemplo, os artigos que, dispostos de forma decrescente, correspondam a um valor acumulado até 80% dos valores de consumo anual são considerados na classe A; os artigos que correspondam à mesma percentagem acumulada entre 80 e 90% ficam na classe B; e os restantes na classe C), é definido o conjunto de artigos que fica em cada classe. Dessa análise resulta que a prioridade da gestão deve ir para os artigos da classe A e só depois para as restantes.
A partir dos dados obtidos pode ser obtida a curva ABC, que mais não é do que a tradução em dois eixos (o das abcissas com a percentagem em termos de número de artigos e o das ordenadas com a percentagem em termos de consumos ou investimentos financeiros associados).

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