D. W. Griffith

Realizador norte-americano, David Llewelyn Wark Griffith nasceu em LaGrange, no estado de Kentucky, a 22 de janeiro de 1875, e morreu em Hollywood, no dia 21 de julho de 1948, vítima de uma hemorragia cerebral.
O seu pai foi um herói na Guerra Civil Americana e David cresceu rodeado de relatos que o pai lhe contava sobre a guerra, não sem antes os romantizar um pouco. Desde cedo demonstrou ter um grande fascínio pelo teatro e, em 1908, iniciou a sua carreira como ator e argumentista num filme chamado Rescued from an Eagle's Nest.
Griffith produziu ao longo da sua vida numerosas curtas-metragens, realizando mais de 500 entre 1908 e 1914. É considerado o primeiro produtor e realizador de Hollywood, com a sua curta-metragem de 1910, In Old Califórnia. O primeiro filme que dirigiu foi The Adventures of Dollie (1908), mas aquele que lhe trouxe glória e reconhecimento foi The Birth of a Nation (O Nascimento de uma Nação, 1915), um filme mudo baseado no livro de Thomas Dixon, The Clansman. Trata-se de um épico de três horas de duração passado durante a Guerra Civil Americana. Ao mesmo tempo que percorre factos históricos como o assassinato de Lincoln, a Guerra Civil e o aparecimento do Klu-Klux-Klan, conta a história de dois irmãos - os Stoneman - que residem no Norte e visitam uma família de amigos no Sul - os Cameron. Esta amizade irá ser afetada pela guerra, pela divisão do país e pela sua luta em campos opostos. O filme foi alvo de muita controvérsia e Griffith foi acusado de racismo por ter concedido um destaque heroico ao Klu-Klux-Klan. Centenas de ativistas negros opuseram-se à estreia do filme, marchando sobre a capital, onde chegou a haver confrontos com os defensores do filme, tendo a Polícia efetuado algumas detenções. Tudo porque o mayor da cidade decidiu permitir o visionamento do filme, apesar da petição, que o tentava impedir, de 6000 assinaturas angariadas pela Associação Nacional para o Desenvolvimento das Pessoas Negras. O filme foi mais tarde considerado responsável pelo ressurgimento do Klu- Klux- Klan nos Estados Unidos. Apesar de toda a controvérsia, The Birth of a Nation é considerado um marco histórico decisivo em toda a história do cinema.
Em 1916, realizou outro dos grandes filmes de todos os tempos, Intolerance (Intolerância), cujo título original esteve para ser The Mother and the Law. O seu tema é a falta de humanidade e os pecados humanos. Está dividido em quatro histórias ligadas entre si, que atravessam os tempos desde a época da Babilónia aos dias de hoje: The Mother and the Law, passado nos dias que decorriam na altura da estreia do filme; The Nazarene, em que se relata a crucificação de Cristo; The Medieval Story, que conta o massacre de protestantes no dia de São Bartolomeu, em 1572; e The Fall of Babylon, acerca da traição do príncipe Belshazzar aos Persas. Todas as histórias têm como elo o amor. A proposta do filme era tratar um tema universal através de vários períodos históricos da raça humana.
Destacam-se ainda duas outras obras importantes: The Broken Blossoms (O Lírio Quebrado, 1919) e Way Down East (As Duas Tormentas, 1920).
A 17 de abril de 1919, juntamente com Charles Chaplin, Douglas Fairbanks, Mary Pickford e William S. Hart, Griffith fundou a United Artists, emblemático estúdio da época.
Com a chegada do filme sonoro, Griffith ficou sem trabalho e durante os seus últimos 15 anos viveu com sérias dificuldades económicas.
Foi Griffith que introduziu termos cinematográficos como "close-up", "flash-back", "fade-in", "fade-out", "long shot" e "full shot", entre outros.
Como referenciar: D. W. Griffith in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-07-09 03:02:23]. Disponível na Internet: