Da Santa Aliança à Questão do Oriente (séc. XIX)

Esta aliança foi estabelecida entre os soberanos europeus que pretendiam propagar os princípios da Fé cristã e, no fundo, manter o absolutismo como filosofia do estado e sistema político dominante na Europa. Foi firmada por um tratado definido pelo imperador Alexandre I da Rússia, sendo posteriormente assinado a 26 de setembro de 1815 em Paris, por Francisco I, imperador da Áustria, por Frederico Guilherme III, rei da Prússia, e por Alexandre I.
Esta aliança foi proclamada no Congresso de Viena, reunido entre 1814 e 1815, onde todos os governantes terão assinado o tratado com a exceção do príncipe regente da Grã-Bretanha, do papa e do sultão turco representante do Império Otomano (estes dois últimos não foram, porém, convidados a assiná-lo).
O Congresso de Viena foi reunido cinco meses depois de Napoleão ter sido exilado na ilha de Elba, tendo como objetivo acabar com o que restava das guerras napoleónicas e proceder à partilha da Europa. Neste acontecimento político e diplomático estiveram presentes: pela Grã-Bretanha, o visconde de Castleragh e o duque de Wellington; pela Rússia, o czar Alexandre I; pela França, Talleyrand; pela Áustria, o príncipe Metternich; e pela Prússia, o príncipe Von Hardenberg. Por Portugal, estiveram primeiro o conde de Palmela e Saldanha da Gama e depois o conde de Porto Santo e D. Joaquim Lobo da Silveira. O nosso País conseguiu uma indemnização de 2 700 mil libras: 700 mil dos ingleses (pelo apresamento dos nossos navios no bloqueio continental) e 2 milhões dos franceses, pelos estragos causados pelas invasões napoleónicas.
Em traços gerais, foi decidida a entrega da Lombardia e de Veneza à Áustria; a Prússia teve direito a Varsóvia, Danzig (atual Gdansk, na Polónia) e à Pomerânia sueca; era restaurada a monarquia belga, com jurisdição sobre parte da Holanda; a Confederação Germânica tomava o lugar do Sacro Império Romano-Germânico; a Polónia foi reconhecida, mas sob a tutela da Rússia, que por sua vez ganhou a Bessarábia (Sudoeste da Ucrânia) e a Finlândia; a Grã-Bretanha apoderou-se de algumas colónias outrora pertencentes à Holanda e à França e tomou posse da ilha de Malta, das ilhas Jónicas e da Heligolândia, a oeste da Dinamarca; a Suécia recebeu a Noruega; foram também legitimadas as monarquias portuguesa e espanhola.
A grande importância desta aliança não reside no acordo em si mesmo, mas no facto de ser um símbolo das políticas absolutistas e um instrumento para manter o estado vigente das coisas no continente europeu. Como aspeto ilustrativo deste novo quadro absolutista, refira-se que diversas tentativas e experiências revolucionárias e democráticas, nacionalistas ou liberais, foram derrubadas com intervenção de tropas da Santa Aliança, em nome da manutenção da ordem absolutista. Estava, assim, concluída a vingança das monarquias, postas em causa desde a Revolução Francesa.
Como referenciar: Porto Editora – Da Santa Aliança à Questão do Oriente (séc. XIX) na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-09-21 10:43:07]. Disponível em