Dai-Nippon

Esta edição de 1923 reedita a primeira edição de Dai-Nippon, de 1897, rapidamente esgotada na ocasião do Quarto Centenário do Descobrimento da Índia. Da autoria de Wenceslau de Morais, ordenando impressões e relances sobre a história, a arte e a vida nipónicas, consubstancia um rasgado louvor desta terra eleita, propondo-se invocar, desde o "prelúdio", o deslumbramento desse "país de alegria, palpitante de todos os encantos, de todas as harmonias, abençoado por Deus", capaz de prodigalizar ao "forasteiro" que "vem, farto de si e do mundo", "algumas horas de maravilhoso enlevo". Como explica, ainda no prelúdio, escreve este livro sugestionado pela ideia de um amigo, imaginando descrevê-lo "sob um ponto de vista íntimo, particularmente afetivo, menos pelo que ele é do que pelo que d'ele fica na memória, como quem de uma flor desprezasse a forma e retivesse só o perfume". Por isso, os capítulos da obra "nada mais são do que o pálido reflexo de um espetáculo deslumbrante, atuando sobre a amorosa e excecional sensibilidade de uma pupila, mercê das condições especiais da existência, vivida na penumbra dos aspetos tristes." A prosa contém, assim, implicitamente a comparação entre a "desolação da paisagem," a "sordidez do albergue", a "miséria da tribu", que o narrador conhecera, e a descrição apaixonada do "país privilegiado" que o acolhe.
Como referenciar: Dai-Nippon in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-11-29 02:27:30]. Disponível na Internet: