daltonismo

O daltonismo é uma insuficiência visual relacionada com a incapacidade de distinguir diversas cores do espetro visual.

Esta doença é de transmissão hereditária, sendo causada por um gene recessivo localizado no cromossoma X. Por este motivo, a sua incidência é dez vezes superior no sexo masculino em relação ao feminino, já que a mulher, para ser afetada, necessita de duas cópias do gene daltónico, enquanto os homens de apenas uma, já que possuem apenas um cromossoma X.

Embora seja conhecido desde a Antiguidade, apenas no século XVIII surgiu a primeira descrição científica deste problema visual, pelo físico inglês John Dalton (1766- 1844), também ele daltónico. Em meados do século XIX, o fisiologista alemão Hermann Von Helmholtz propõe um teoria explicativa do mecanismo orgânico responsável pela doença, completando as primeiras hipóteses explicativas levantadas pelo físico Thomas Young, em 1801.

Segundo a teoria de Young-Helmholtz, no interior do olho, na zona responsável pela conversão dos estímulos luminosos em estímulos nervosos (retina), existem células especializadas, os cones. Os cones apresentam uma sensibilidade diferenciada, captando a luz em comprimentos de onda diferentes, existindo cones que captam ondas longas (vermelho), outros ondas curtas (azul e violeta) e outros os comprimentos intermédios, como o amarelo e o verde.

Consoante o tipo de radiação incidente, os cones seriam estimulados de forma diferencial, gerando um impulso nervoso proporcional, que, ao nível do cérebro, é traduzido como a cor resultante. Nos sujeitos daltónicos, existiria falta de ou problemas no normal funcionamento de determinados tipos de cones, desencadeando-se assim a incapacidade de distinguir determinadas cores.

A situação mais frequente é a incapacidade de distinguir entre o vermelho e o verde, sendo menos comum a confusão entre o azul e o amarelo. Os casos de visão acromática são raros, sendo que estes indivíduos apenas formam imagens em tons de cinza, preto e branco.

Um elevado número de pessoas apresenta, pelo menos, alguns indícios de daltonismo. No entanto, a maioria dos casos permanecem despercebidos aos próprios pacientes, sendo detetáveis apenas por testes médicos adequados. O diagnóstico clínico pode ser realizado através do recurso ao Livro de Ishiara, anomaloscópio de Nagel ou ao método das lãs de Holmgreen.

O Livro de Ishiara ou método das lâminas pseudoisocromáticas é o processo mais comum e fácil de usar. Consta de pequenos quadros, onde, através do recurso a pontos coloridos são desenhados números, sendo a perceção das diferentes formas desenhadas dependente do tipo de sensibilidade às cores do paciente.

O anomaloscópio de Nagel consta de um aparelho, em que o indivíduo vê dois campos iluminados, um com luz amarela e outro com uma mistura de luzes monocromáticas vermelha e verde. Regulando a intensidade de cada um dos tipos de luz o paciente deve igualar os dois campos.

O método de Holmgreen baseia-se na separação de fios de lã de cores diferentes.



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