dança

A dança é, antes de tudo e em todas as civilizações, uma manifestação de vida profana e religiosa, uma forma de celebrar a existência, um ritual social ou místico, uma linguagem que vai para além das palavras e cuja forma de expressão está inserida no inconsciente coletivo da maior parte dos povos. A dança é ainda uma forma de aproximação e de fusão com o Divino.

A dança é uma forma de celebração e de alegria que tanto os humanos, como alguns animais, aparentemente, utilizam para expressar os seus sentimentos e emoções. Como uma forma de comunicação, a dança pode ser uma verdadeira linguagem universal, já que instintivamente utiliza formas de expressão corporal que são comuns a muitos povos. A dança tem ainda uma forte conotação religiosa, erótica, sexual e também terapêutica entre muitos povos em todo o mundo.
As danças de carácter profano têm quase sempre uma origem mística, religiosa ou ritual. Muitas delas têm por objetivo o transe e o êxtase e essa consciência mística é muito mais clara e presente nos povos que estão mais em contacto com as suas origens culturais, como é o caso das tribos africanas e índias. Nas sociedades ocidentais, pelo contrário, não existe muitas vezes a consciência da origem e da razão da dança. Na sua essência, a dança é uma forma de libertação e ligação com a fonte divina.

No Antigo Testamento, existem relatos da dança de David em veneração da Arca da Aliança. Nos Mistérios de Elêusis da antiga Grécia, eram celebradas danças rituais e iniciáticas. No antigo Egito, as danças eram também de índole religiosa e baseavam-se nos mitos dos deuses. A dança sufi dos Derviches rodopiantes é um ritual de iniciação místico e religioso. Em África e nos países tocados pela cultura africana, como o Brasil, as Caraíbas e o Sul dos EUA, a dança está muito presente nos rituais de vodu, Candomblé, Umbanda, etc.

As danças da chuva são muito comuns nos índios da América e em alguns dos povos do deserto. Na tradição da Índia, é muito forte o culto de Shiva, na sua manifestação de rei dos dançarinos, ou Nataraja. A dança cósmica de Shiva no seu círculo de fogo é uma celebração da criação, da paz e da renovação através da destruição.

A dança tem uma vertente estética, mística, erótica, numa manifestação da energia da Shakti primordial. Os movimentos das diferentes partes do corpo têm uma linguagem simbólica, especialmente os mudrás, ou gestos com as mãos que despertam os códigos inseridos no inconsciente coletivo.

Nos primeiros tempos do cristianismo, as igrejas incluíam danças nos seus rituais, que foram proibidas mais tarde pelo seu carácter sensual e feminino. As danças resistiram nos rituais profanos do Carnaval até aos nossos dias. Inquiridores da Igreja consideravam a dança como uma das provas da identidade das bruxas e dos feiticeiros. Jesus mencionou aos apóstolos, nos Atos de João, que "Ao universo pertence o dançarino. O que não dança não sabe o que acontece. Agora que seguis a minha dança, revejam-se em Mim".

A 29 de abril, comemora-se o Dia Internacional da Dança.



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