De Noite as Árvores São Negras

A publicação em 1968 de De Noite as Árvores São Negras, de Maria Isabel Barreno, inaugura, na literatura portuguesa, uma linhagem novelística que, passando por Maina Mendes (1969), de Maria Velho da Costa, ou Novas Cartas Portuguesas (1972), procede a alterações profundas no processo narrativo tradicional e enceta a "reflexão sobre a condição humana nas condições de vida da sociedade contemporânea e, no caso desta autora, muito particularmente sobre a condição da mulher, suas limitações sociais e sua necessidade de libertação." (Cf. SEIXO, Maria Alzira - Portugal, A Terra e o Homem, Antologia de Escritores do Século XX, 2.ª Série, Lisboa, Fundação C. Gulbenkian, 1980, p. 331.) Fazendo compaginar, num fluxo de consciência, contínuo e melódico, as vozes interiores de personagens banais (Helena, Luísa, Amélia, Henrique, Octávio), "o confronto que este romance nos oferece através de um discurso que simultaneamente nos parece ser contínuo e descontínuo, monólogo (a entidade negra) e diálogo (as entidades árvores) é o confronto entre um sujeito (o inominado e abstrato autor do monólogo) moldado por uma civilização, uniformizado por ela, e as personagens concretas que resistem, melhor ou pior, a essa uniformização. (Cf. ABELAIRA, Augusto - prefácio a De Noite as Árvores São Negras, Lisboa, Rolim, 1987, p. 10.)
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