Declínio Carolíngio

Os Carolíngios continuaram a conquista dos Francos e fundaram um império europeu que atingiu o máximo da sua extensão no tempo de Carlos Magno. Porém, a sua grande construção sofreu, durante o século IX, uma desagregação devido aos ataques inimigos exteriores (novos povos invasores) e a problemas internos.
Quanto aos povos invasores, os mais perigosos chegavam por mar, do Norte e do Sul e por terra. Provinham do Leste. Do Norte, chegavam os Normandos ou Vikings; do Sul, os Muçulmanos. Por terra chegavam os Húngaros provenientes da Ásia.
No plano interno, as constantes partilhas e lutas no interior do Império agravaram também esta situação. Antes e segundo os costumes germânicos, após a morte de Clóvis (último rei franco), fundador da dinastia merovíngia, o reino foi repartido pelos seus quatro filhos, que o dividiram em quatro reinos: Austrásia, Nêustria, Aquitânia e Borgonha. A partir do século VII, os reis merovíngios, já sem grande poder, acabaram por abandonar o governo em favor do prefeito do palácio, que se tornou depois rei. Porém, entre os vários prefeitos destes quatro novos reinos travou-se uma luta pela prefeitura única, que terminou com a vitória de Pepino II de Herstal, prefeito dos três reinos. A sua obra foi continuada pelo seu filho Carlos Martel (714-741) que venceu os Sarracenos em Poitiers, em 732. Esta família dos Carolíngios tornou-se, assim, protetora da Igreja e da civilização cristã, apoiando a evangelização da Germânia e o Papa no combate contra os Lombardos.
O filho de Carlos Martel, Pepino, o Breve (741-768), acabou por dar o golpe final à dinastia merovíngia, ao depor, em 751, o último soberano merovíngio, Childerico III, inaugurando assim a dinastia carolíngia. Este golpe de Estado foi legitimado ao fazer-se proclamar rei pelos nobres e, mais tarde, sagrar-se pelo Papa Estêvão II, em 754. A partir desta altura, os Carolíngios, ao lado do Sumo Pontífice no combate aos Lombardos, substituíram o imperador bizantino no seu papel de protetor da Igreja.
A Pepino, o Breve, sucede Carlos Magno (768-814), que se fez sagrar imperador pelo Papa em Roma, em 800, conduzindo a dinastia Carolíngia ao seu apogeu.
No tempo de Pepino, o Breve e Carlos Magno, era o Papa que obedecia ao rei, que assim interferia constantemente nos assuntos da Igreja.
Porém, esta situação inverte-se com a subida ao trono de Luís, o Pio (814-840). O Papa emancipou-se então da tutela temporal, interferindo cada vez mais na vida do império. Luís, o Pio, viu-se obrigado a dividir, à boa maneira sálica, o seu império pelos três filhos, mas o nascimento de um quarto filho veio colocar em cheque a partilha, provocando a ira dos irmãos mais velhos contra o pai, o que originou, após a morte de Luís, o Pio, uma guerra civil entre estes.
Todas estas lutas internas levaram a que a Santa Sé tomasse conta dos destinos do Império. Após várias lutas, os três irmãos acabaram por se entender na partilha do Império, pela assinatura do Tratado de Verdun (843) e, mais tarde, pelo Tratado de Mersen (870), que acabou por causar grandes danos na unidade do Império, levando à separação entre a Francia e a Germania, surgindo também um reino intermédio na atual Itália.
Para além disto, os novos povos bárbaros e as suas incursões nestes territórios dificultavam a situação.
Como se não bastasse, a herança carolíngia mostrava-se cada vez mais frágil.
As constantes crises políticas levaram, assim, à fragmentação da autoridade e do poder do imperador. Os nobres tinham cada vez mais poder económico e político, tornando-se os grandes senhores, processo instituído por Carlos Magno e seus sucessores, no sentido de obterem vassalagem.
Porém, na prática, os seus desejos não se concretizaram desta forma. Com as invasões, os mais fracos procuravam a proteção dos mais fortes, dando-se, assim, início a um sistema socioeconómico que viria a estar na base do feudalismo medieval.
No fundo, a transmissão do poder, que nos primeiros Carolíngios se fazia por um compromisso entre a hereditariedade e a eleição, quando a dinastia enfraqueceu, caiu por terra: a eleição tornou-se livre e a hereditariedade foi posta de parte pela primeira vez em 888 e, finalmente, em 987, altura em que os soberanos carolíngios foram afastados do trono por uma assembleia de varões e prelados que levou à eleição do fidalgo Hugo Capeto (conde de Paris e duque de França), dando-se início, desta forma, à dinastia dos Capetos, que ficará à frente dos destinos de França durante quase oitocentos anos.
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