delinquência

Sociologicamente, não se adotam os caracteres definidos por lei. Mais do que à lei, a Sociologia tem sido atenta à importância das subculturas, ao papel do grupo de pares ou às questões das aspirações e oportunidades quando se debruça sobre fenómenos enquadráveis no que vulgarmente se chama delinquência.
Delinquência designa comummente a criminalidade e os desvios de conduta. Reporta-se à violação de uma obrigação social, mormente obrigações especificadas na lei. A Sociologia prefere trabalhar com termos menos conotados com a lei, como "desvio" ou "comportamento desviante". Os primeiros sociólogos a estudar o problema foram os da Escola de Chicago, que analisaram a delinquência a partir da estrutura social dos bairros urbanos e da importância do grupo de pares. Inauguraram uma tradição dita "ecológica" quando partiram da configuração das zonas urbanizadas para explicar a delinquência juvenil.
Outra das principais produções teóricas sobre o tema encontra-se em R. K. Merton, que sublinhou como uma causa da anomia (termo que importou de Émile Durkheim) a disparidade entre os objetivos sugeridos pela sociedade e os meios legítimos proporcionados para os atingir, bloqueadora de saídas legítimas a muitos cidadãos.
A. Cohen está entre os autores que defendem que as subculturas delinquentes proporcionam um estatuto a indivíduos que não têm acesso a outros meios de valorização. A chamada nova criminologia encarou a delinquência como um resultado das desigualdades sociais e como uma manifestação de oposição aos valores dominantes na sociedade.
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