Dersu Uzala

Drama de aventuras coproduzido pela União Soviética e o Japão em 1975 e realizado por Akira Kurosawa, Dersu Uzala foi interpretado por Maxim Munzuk, Yuri Solomine, Vladimir Kremena, Schemeikl Chokmorov e Svetlana Danielchanka, entre outros. O argumento foi escrito por Kurosawa e Yuri Nagibin, adaptando os diários da autoria de Vladimir Arseniev.
O capitão Vladimir Arseniev (Yuri Solomine) lidera uma expedição topográfica às profundezas selvagens da Sibéria no século XIX. Aí conhece um velho caçador mongol, Dersu Uzala (Maxim Munzuk), que o inicia nos meandros da natureza, que conhece praticamente desde a nascença. Os dois homens tornam-se amigos chegados após diversas expedições nas quais Dersu Uzala serve de guia, conseguindo numa delas sobreviver a uma violenta tempestade. Após muitas incursões por domínios selvagens, e muitas trocas de opinião sobre assuntos tão variados como a cultura, o tempo e o espaço, o capitão Vladimir tenta convencer o idoso guia a regressar com ele à cidade, mas ele recusa sempre. Um dia acaba por concordar, mas não consegue adaptar-se à cidade e entra lentamente em decadência. Metaforicamente, a história de um caçador mongol que ensina um russo sobre a terra e os animais evoca a falência do colonialismo. Akira Kurosawa filmou este conto sobre o triunfo do espírito e da amizade na antiga União Soviética, algum tempo depois de uma tentativa de suicídio, com um elenco integralmente soviético, apesar do diretor de fotografia japonês, Asakazu Nakai, que usou o grandioso sistema Sovscope 70 mm para conseguir imagens fantásticas das paisagens siberianas. Demorou quatro anos a ser filmado e foi produzido por dois estúdios míticos: o russo Mosfilm e o japonês Toho.
Repleto de reverência pela natureza e pelo homem que vive em harmonia com ela, esta é uma poética obra-prima imbuída de um grande sentido de humanismo e respeito, como é característico da maior parte da obra do cineasta. Um dos seus planos mais belos e famosos inclui os dois companheiros a contemplarem em simultâneo um Sol poente e uma Lua nascente.
Venceu o Grande Prémio do Festival Internacional de Cinema de Moscovo e o Óscar para o Melhor Filme Estrangeiro.
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