desenvolvimento

Os critérios de desenvolvimento dos Estados têm, como ponto de vista, parâmetros e modelos das sociedades ocidentais industrializadas e dependem das orientações políticas dos Estados, dado que os vários tipos de desenvolvimento nem sempre são complementares, ou seja, e a título de exemplo, o desenvolvimento industrial nem sempre se traduz num desenvolvimento social.
O tema do desenvolvimento é especialmente aplicado pelos países ocidentais relativamente aos países do Leste da Europa, saídos dos regimes socialistas, e aos países constituídos a partir das antigas colónias europeias e que constituem o chamado Terceiro Mundo ou os Países em Vias de Desenvolvimento. Do ponto de vista destes países, os processos de desenvolvimento visam a aproximação das suas condições socioeconómicas das condições dos países de cultura ocidental, conhecidos por desenvolvidos, produto de uma aculturação de séculos em que a cultura e os valores tradicionais de muitos países foram substituídos pelos valores ocidentais. Curiosa e ironicamente, são muitas vezes grupos políticos e sociais dos países desenvolvidos a reclamarem um desenvolvimento que tenha em linha de conta o respeito pela natureza, pelas tradições e pelas culturas originais, valores que pertenciam originalmente a muitos povos dos Países em Vias de Desenvolvimento.
No mundo ocidental, surgiram, após a Segunda Guerra Mundial, duas correntes de pensamento relativas ao desenvolvimento: a primeira, nas décadas de 50 e 60, foi a chamada "teoria de modernização" de defesa do crescimento económico e tecnológico generalizado dos países do Terceiro Mundo, tendo como referência os índices económicos e não necessariamente os benefícios sociais, tentando reproduzir nos países de Terceiro Mundo os vários estágios de desenvolvimento industrial ocidental.
A segunda corrente de pensamento surgiu nos anos 70 e, embora defendendo o crescimento económico, tem a consciência de que muito do desenvolvimento dos países ocidentais foi e é realizado à custa do subdesenvolvimento de outros povos. Esta "teoria do subdesenvolvimento" defende que os critérios de desenvolvimento por parte do mundo ocidental têm de ser alterados no sentido de uma maior e melhor redistribuição da riqueza em termos mundiais. Estas duas teorias continuaram válidas durante os anos 80 e foram alvo de grandes debates, de forma a analisar os aspetos positivos de cada uma. Uma terceira corrente de pensamento surgiu também nos anos 70 e tem vindo a consolidar-se, questionando basicamente os indicadores de crescimento económico como referência de desenvolvimento, já que são padrões ocidentais de produção e consumo que não implicam necessariamente benefícios em termos sociais e humanos. Esta teoria, conhecida como "teoria das necessidades básicas para o desenvolvimento", aceita a vertente económica de desenvolvimento, em termos de produção de alimentos e outros bens essenciais, mas acrescenta-lhe outras prioridades, como os serviços básicos de saúde, segurança social e educação. Esta teoria defende a importância dos valores morais e culturais na procura de uma identidade nacional, uma maior participação de todos os membros da comunidade nas decisões nacionais, a salvaguarda da identidade étnica e o convívio pacífico entre as diferentes etnias que constituem os Estados.
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