Devónico

Quarto período da Era Paleozoica, compreendido entre -408 e -360 milhões de anos. Segue-se ao Silúrico e precede o Carbónico.
O período foi proposto, depois de amplo debate, por Sedgwick e Murchison em 1839. Basearam a sua proposta no facto de as camadas de rochas se encontrarem por baixo das camadas reconhecidamente do Carbónico e cobrirem as camadas silúricas. Continham uma fauna que era diferente da atribuída ao Silúrico e ao Carbónico.
Foi um período de grandes mudanças na paleogeografia terrestre e as rochas originadas encontram-se espalhadas por todos os continentes. A distribuição das massas continentais era substancialmente diferente da atual: um continente gigantesco estava situado no Hemisfério Sul, outras massas terrestres estavam espalhadas pela zona equatorial e um largo oceano separava a Sibéria da Europa. Houve grandes movimentos das placas tectónicas principais na América do Norte (que colidiu com a Europa no início do período), oeste da América do Sul e este da Ásia e Austrália. Foi também um período de grande atividade sísmica e vulcânica. A rocha mais característica é o arenito vermelho continental, de clima quase desértico e com grande número de fósseis de gigantostráceos e peixes couraçados.
Os mares equatoriais que separavam os continentes possuíam extensos recifes de coral, enquanto que nos mares interiores da América do Norte, Ásia e Austrália, de águas pouco profundas, precipitaram grandes quantidades de sal e outros minerais, devido à evaporação. Também a grande erosão sofrida pelas áreas montanhosas dava origem a um grande volume de sedimentos grosseiros que se depositaram nos vales e mares. A intensa atividade vulcânica ao longo das cordilheiras oceânicas foi preponderante para as grandes inundações ocorridas durante este período já que a expulsão de grandes volumes de rocha em fusão obrigou as águas a galgarem os continentes que, pelo final do período, possuíam uma extensão muito inferior à atual. Pensa-se também que o ano devónico teria cerca de 400 dias de 21 horas cada, o que teria um pequeno, mas não insignificante, efeito nas marés e, portanto, na evolução da erosão costeira, que terá também contribuído para facilitar o rápido avanço das águas.
O Devónico foi caracterizado por diversas espécies de flora e de fauna. Nos mares, os bivalves tornaram-se diversificados e abundantes, sendo características as goniatites (moluscos cefalópodes); os moluscos evoluíram rapidamente, assim como os corais, que originaram enormes recifes, e outros animais similares. Pelo contrário, as graptolites extinguiram-se e as trilobites entraram em declínio. Apareceram muitos tipos de peixes primitivos, quer de água salgada, quer de água doce, alguns de formas semelhantes às dos tubarões atuais e outros providos de pulmões que, aparentemente, evoluíram para os primeiros anfíbios quadrúpedes (labirintodontes), no final do período. As plantas vasculares tiveram uma evolução espetacular, dando origem à formação das primeiras florestas de pteridófitas, antepassadas das grandes florestas pantanosas do Carbónico.
Com o aproximar do final deste período um grande número de invertebrados extinguiu-se, principalmente os que estavam ligados ao ambiente dos recifes marinhos. A explicação mais plausível para este facto refere o aprofundamento das águas, com a consequente diminuição do nível de oxigénio, e a regressão dos oceanos.
A designação Devónico deriva de Devonshire, condado inglês.
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