diabetes

A diabetes está intimamente relacionada com o mau funcionamento do pâncreas. É uma doença complexa que resulta de uma deficiência de insulina ou, em alguns casos, de uma falta de resposta adequada dos tecidos a esta hormona.

Existem dois tipos clinicamente distintos da doença: o tipo infanto-juvenil e o tipo adulto.

Os casos de diabetes do tipo infanto-juvenil (que ocorre durante a infância ou a juventude) são invariavelmente graves e caracterizam-se por uma deficiência extrema, por vezes total ou quase total, de insulina.

A diabetes do segundo tipo, que aparece já na idade adulta, é usualmente menos grave, parecendo, pelo menos em alguns casos, depender mais de uma resposta inadequada das células do organismo à insulina do que de uma insuficiência desta hormona no sangue.

Devido a secreção insuficiente de insulina pelo pâncreas ou a uma falta de reação dos tecidos à insulina (diminuição do efeito permeabilizador da insulina sobre a membrana das células), a glicose sanguínea fica sem possibilidade de acesso ao interior das células. Em consequência, os níveis de glicose no sangue aumentam consideravelmente, atingindo limites tais que não permitem que os tubos renais sejam capazes de reabsorver toda a glicose, pelo que uma certa quantidade deste açucar é eliminada pela urina.

Em condições normais não é excretada qualquer quantidade de glicose pela urina, uma vez que nas pessoas não diabéticas toda a glicose contida no filtrado glomerular é reabsorvida para o interior dos vasos capilares adjacentes aos túbulos renais.

Devido à presença de glicose na urina dos diabéticos, uma quantidade anormalmente grande de água é excretada juntamente com a glicose. Este facto explica de uma maneira clara dois sintomas invariavelmente verificados em diabéticos: eliminação de
grandes volumes de água (poliúria) e consumo elevado de líquidos (polidipsia). É esta uma das razões por que os diabéticos são propensos à desidratação.

Uma complicação aguda, frequentemente verificada no diabético e que é bastante comum nos casos do tipo infanto-juvenil, é o coma diabético. Este estado é caracterizado por perda de consciência, a qual resulta da hiperglicemia, da desidratação e, principalmente, da acidose. A acidose resulta da substituição da glicose pelas reservas de gordura para obter energia.

Os produtos de degradação bioquímica das gorduras (catabolismo dos lípidos) são os cetoácidos, que constituem metabolitos tóxicos que se acumulam no sangue e determinam a acidose, o principal agente desencadeador do coma diabético - um estado muito grave, muitas vezes responsável pela morte dos doentes diabéticos, que deve ser tratado com o máximo de urgência possível.

Como os cetoácidos são eliminados pela urina, pode-se avaliar o grau de acidose sanguínea procedendo-se ao seu doseamento na urina. Existem métodos simplificados e precisos para a dosagem dos cetoácidos na urina, que podem ser realizados pelos próprios pacientes.

Na diabetes adulta a doença parece não ter uma relação muito estreita com a quantidade de insulina produzida pelo pâncreas. As alterações estruturais da glândula são pouco frequentes. No tipo infanto-juvenil, além da alteração na textura do tecido pancreático, nota-se uma redução acentuada no número de ilhotas secretoras (ilhotas de Langerhans).

Nos diabéticos ocorrem, quase sempre, lesões degenerativas dos vasos sanguíneos do organismo. Uma das complicações frequentemente observadas nos diabéticos é a arteriosclerose, inclusive das artérias coronárias. Além de se instalar precocemente nos doentes, tem evolução rápida e grave. Contudo, as lesões mais típicas nos diabéticos costumam ocorrer na retina e nos rins.

No diabético crónico observam-se, comummente, lesões dos vasos sanguíneos da retina, que constituem a designada retinopatia diabética e que podem conduzir à cegueira.

A forma de diabetes descrita é denominada diabetes mellitus, existindo outra forma de diabetes chamada diabetes insípida, na qual o mecanismo de transporte de glicose do sangue para as células não está alterado. Caracteriza-se por uma deficiência do organismo em concentrar adequadamente a urina, devido a um distúrbio no mecanismo de reabsorção da água pelos túbulos renais.

Nesta forma de diabetes, o indivíduo elimina quantidades incrivelmente elevadas de água pela urina, até 20 litros nas 24 horas, a qual se apresenta muito diluída, uma vez que não consegue ser concentrada pelo aparelho renal. Esta doença é bastante rara.

A 14 de novembro, comemora-se o Dia Mundial da Diabetes
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