Dinastia Flaviana (69 d. C. - 96 d. C.)

Reúnem-se sob esta designação os imperadores que constituíram a segunda dinastia do Império Romano: Vespasiano (69 d. C.-79 d. C.), Tito (71 d. C.-81 d. C.) e Domiciano (81 d. C.-96 d. C.). Os Flávios ficaram na história como uma linha de imperadores rigorosos e capazes, restauradores da força do Império. Durante esta dinastia o culto imperial foi reforçado, aproximando-se de um absolutismo oriental, que parecia não desagradar a plebe e os exércitos das fronteiras.
Tito Flávio Vespasiano nasceu a 7 de novembro de 9 d. C. no seio de uma família que representava uma nova classe pronta a assumir o poder, depois de terminada a velha aristocracia republicana. Foi sobretudo um militar, exercendo vários comandos no Reno e na Bretanha. Apoiado por Múcio e António Primo, comandantes das legiões do Danúbio e do Oriente, derrotou Vitélio e foi aclamado Imperador em 69 d. C. Conhecido como um administrador consciencioso, honesto e justo, a sua primeira preocupação foi a de restabelecer a ordem interna do Império e, sobretudo, do seu tesouro, que havia sido comprometido pelas despesas de Nero. No entanto, as suas reformas financeiras, que o levaram a destituir o Senado dos seus privilégios e prerrogativas, valeram-lhe a oposição dos senadores. Procurou instaurar um sistema de sucessão claro e simples ao implementar uma hereditariedade monárquica assente no primogénito masculino. Com a sua morte em 79 d. C., sucedeu-lhe o seu filho mais velho Tito. Tito Flávio Vespasiano nasceu a 30 de dezembro de 39 d. C. Distinguiu-se como tribuno militar na Bretanha e na Germânia e foi nomeado comandante de uma legião na Judeia, onde conseguiu instaurar a paz em 70 d. C., ao tomar de assalto Jerusalém. Foi associado ao Império em 71 d. C. e sucedeu a seu pai, quando este morreu a 24 de julho de 79 d. C. A sua boa reputação enquanto imperador não foi afetada pela tumultuosidade da sua vida privada, nem pelo desastre da erupção do Vesúvio que engoliu Pompeia, durante o seu reinado, ainda que tenha sido conotado, algumas vezes, com uma certa arrogância durante o exercício do poder. Morreu a 13 de novembro de 81 d. C., sucedendo-lhe o seu irmão Domiciano. Tito Flávio Domiciano foi o último dos imperadores Flavianos. Caracterizado como sendo ambicioso e sequioso de poder, o seu reinado foi marcado por sucessivas tiranias e crueldades, que resultaram de um absolutismo imperial. No entanto, a energia empregue na resolução dos problemas militares do Danúbio e as medidas financeiras adotadas, que incluíam trocas comerciais com a China e a Índia, foram obra de um imperador muito hábil. Foi um grande construtor, responsável pela edificação do Palatino, pela construção do estádio que deu forma à atual Piazza Navona, entre outros. Foi assassinado a 16 de setembro de 96 d. C., como resultado de uma conspiração senatorial, terminando, deste modo, a segunda dinastia imperial romana.
Como referenciar: Dinastia Flaviana (69 d. C. - 96 d. C.) in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-08-24 00:23:51]. Disponível na Internet: