direção de fotografia

A invenção do cinema está estreitamente ligada à fotografia, dado que, em termos básicos, o cinema é feito de imagens fotográficas estáticas - os fotogramas - que passados a uma determinada velocidade, 24 imagens por segundo, criam uma sensação de movimento real. Isto acontece porque o olho humano não consegue destrinçar quebras de movimento numa sucessão de 12 a 24 imagens por segundo. O filme mudo tinha 16, mas, com a invenção do cinema sonoro e a junção na mesma película do som e da imagem, os filmes passaram a ser projetados a 24 imagens por segundo. A direção de fotografia, neste contexto, pretende tirar o melhor partido de cada unidade de imagem, equilibrando a técnica da iluminação, da película, das lentes e das câmaras para atingir os melhores efeitos possíveis e aqueles que são pretendidos pelo realizador. Neste contexto, a evolução do cinema esteve sempre estreitamente ligada à evolução da fotografia desde os primeiros filmes dos irmãos Lumière a preto e branco, passando pela invenção da película a cores até aos nossos dias com a introdução da revolução digital. O diretor de fotografia, que normalmente trabalha com um ou dois assistentes, acompanha todas as filmagens sendo responsável por estabelecer as melhores condições de captação de imagem, tendo em conta a iluminação, tanto em interiores como em exteriores. Posteriormente, acompanha também o tratamento do suporte de película ou digital, fazendo tudo para que o resultado final seja o melhor possível. Desde cedo, foi reconhecida a importância da direção de fotografia como condição indispensável à boa qualidade dum filme, a ponto de, logo na primeira cerimónia dos Óscares em 1927, ter sido criado o galardão para Melhor Fotografia, tendo o primeiro prémio sido entregue a Karl Struss e Charles Rosher por Sunrise (Aurora, 1927). Os principais vultos da fotografia cinematográfica foram Victor Milner, Leon Shamroy, Robert Surtees, Freddie Young (que foi habitual colaborador de David Lean), Sven Nykvist (presença indispensável nos filmes de Ingmar Bergman), Vittorio Storaro (diretor da magnífica panorâmica visual de Apocalypse Now, em 1979), Chris Menges e Janusz Kaminski. O maior vulto português neste campo é, sem dúvida, Eduardo Serra, que detém uma sólida carreira também a nível internacional, tendo dirigido magistralmente a fotografia de Girl with a Pearl Earring (Rapariga Com Brinco de Pérola, 2003), pelo qual recebeu uma nomeação para o Óscar da categoria.
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