discordância estratigráfica

Tanto nas transgressões como nas regressões marinhas, o processo de sedimentação é contínuo e ininterrupto. Os materiais que se depositaram estão concordantes.
Algumas vezes, durante o processo de sedimentação, pode ocorrer uma mudança nas condições de sedimentação que tem por consequência uma interrupção temporária no processo de sedimentação. O resultado é que o último material sedimentado experimenta um processo de erosão, durante o qual parte desse material é alterado e transportado para outro lugar. À coluna estratigráfica, ou sucessão de estratos sobrepostos na vertical, desse lugar falta parte dos sedimentos que se depositaram em condições normais. Quando a sedimentação recomeça, verifica-se uma lacuna, que corresponderá ao intervalo de tempo em que não ocorreu sedimentação e com uma superfície superior onde ficaram as marcas da erosão, que recebe o nome de superfície de discordância. Este tipo de discordância em que os estratos mantêm o paralelismo, denomina-se discordância paralela, embora não haja continuidade estratigráfica pois existe uma lacuna de erosão. Se apenas tivesse ocorrido interrupção de sedimentação e não tivessem ocorrido atividades erosivas, a lacuna denominava-se lacuna de sedimentação.
Se houver falta de paralelismo entre as camadas geológicas contíguas e esse facto resultar da atuação de fenómenos tectónicos que dobraram e deformaram os estratos mais antigos, a discordância denomina-se angular.
As discordâncias estratigráficas permitem datar os enrugamentos, pois a idade do movimento que os originou é posterior à formação dos terrenos afetados pelo fenómeno e anterior aos que se sobrepõem em discordância, isto é, não foram atingidos pelas forças deformantes.
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