documentário

O género de documentário, em cinema ou audiovisual, pode ser definido de uma forma elementar como o registo do que usualmente se entende como real ou realidade. Este processo acontece de forma diversa do cinema argumental ou de ficção que nasce a partir de uma ideia, que pode ser inspirada em situações reais mas que é construída no imaginário da pessoa que o cria através de um argumento. O documentário, embora tenha necessariamente uma fase de investigação, nasce na imagem, ou seja, "escreve-se" a partir da imagem registada da realidade. No documentário, a investigação ajuda o autor a melhor entender e a procurar em campo as perspetivas do tema que está a desenvolver. Mas, em muitos casos, não é possível prever o que irá ser registado em termos de imagem, que dependerá, em grande medida, da oportunidade, uma das situações mais fascinantes deste género audiovisual. Existem diferentes abordagens ao documentário, desde os mais puristas que pretendem captar a realidade tal como ela é até aos que elaboram documentários ficcionados que pretendem contar uma situação com uma linguagem escrita e visual com um olhar mais subjetivo. Existem e existiram, ao longo da História do cinema, várias abordagens a documentários, desde as curtas-metragens dos irmãos Lumière, em 1895, passando pelos documentários do épico quotidiano como o trabalho Nanook (Nanook, o Esquimó, 1922), de Robert Flaherty, o documentário analítico de explorador objetivo da realidade do Kinoglaz (Cine-olho, 1924), de Dziga Vertov, o documentário de filmes de arquivo como é exemplo o trabalho de pós-Segunda Guerra Mundial do casal Thorndike, o documentário poético de Jean Mitry até ao documentário de crónica humana de Jean Rouch ou o documentário político dos anos 60, entre outros tipos. O guião de um documentário escreve-se a partir das imagens e quase paralelamente à montagem, terminando quando o vídeo está terminado. Um documentário nasce na investigação que muitas vezes assume para a filmagem o papel que o guião assume no filme de ficção. Em termos de captação de imagem, os documentários podem ser diretos e espontâneos, quando captam um momento que não ser irá repetir da mesma forma, como, por exemplo, um ritual folclórico. Os documentários podem ainda ser diretos induzidos quando, por exemplo, numa pesquisa antropológica se podem fazer repetir gestos para imagem, a fim de documentar um tipo de trabalho ou costume tradicional. Para além dos documentários baseados em filmes de arquivo, existem ainda aqueles de análise prévia, nos quais há o recurso a especialistas e a documentos, como acontece, por exemplo, num documentário sobre construção de instrumentos musicais. São muitos os géneros e as formas que o documentário pode assumir naquele que é um dos géneros mais apaixonantes do mundo audiovisual. Nos últimos anos, o documentário mais célebre pela controvérsia que causou foi Bowling For Columbine (2002), de Michael Moore, que construiu um retrato cáustico sobre a cultura do medo e das armas de fogo nos Estados Unidos da América.
Como referenciar: documentário in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-11-22 18:36:28]. Disponível na Internet: