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Documento dos Nove
O Documento dos Nove foi um manifesto de resposta aos militares radicais, apresentado ao presidente da República, general Costa Gomes, pelos militares favoráveis ao estabelecimento de um regime político pluralista e à continuação dos trabalhos da Assembleia Constituinte. O Documento dos Nove foi elaborado a 6 de agosto de 1975 pelos membros do Conselho da Revolução Vasco Lourenço, Canto e Castro, Vítor Crespo, Costa Neves, Melo Antunes, Vítor Alves, Franco Charais, Pezarat Correia e Sousa e Castro. O manifesto foi ainda assinado por Ramalho Eanes, Garcia dos Santos, Costa Brás, Salgueiro Maia, Rocha Vieira, Fisher Lopes Pires e outros membros destacados das Forças Armadas.
Estes militares rejeitavam "o modelo de sociedade socialista tipo europeu-oriental" e ao mesmo tempo o modelo de sociedade social-democrata, exemplificada em alguns países da Europa Ocidental. Propunham antes um modelo socialista estreitamente ligado à democracia política. Em oposição, apareceu uma "autocrítica revolucionária do COPCON e proposta de trabalho para um programa político", com o apoio do comandante operacional militar Otelo Saraiva de Carvalho. Deste modo, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves e o Partido Comunista, que o apoiava, ficaram entrincheirados entre dois blocos: de um lado os moderados, que assinaram o Documento dos Nove, e do outro os revolucionários, situados à volta do documento do COPCON e dos grupos revolucionários de extrema-esquerda.
A 2 de setembro de 1975 realizou-se a Assembleia do Movimento das Forças Armadas, onde o general Vasco Gonçalves foi derrubado e substituído pelo almirante Pinheiro de Azevedo. Procedeu-se à constituição do VI Governo Provisório, que, embora de coligação, era decididamente favorável ao estabelecimento de um regime político de democracia representativa.
Com o "contragolpe" de 25 de novembro deu-se o triunfo dos militares que aceitavam os resultados eleitorais desse ano e a legitimidade da Assembleia Constituinte, numa atitude manifestamente fundadora do novo regime democrático em Portugal. No comando das várias regiões militares passaram a estar alguns dos oficiais que assinaram o Documento dos Nove, como Franco Charais, Vasco Lourenço e Pezarat Correia. E o novo chefe do Estado-Maior do Exército, Ramalho Eanes, surgiu como vencedor das operações militares do 25 de novembro de 1975.
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