dolce stil nuovo

Expressão italiana que significa "doce estilo novo". Designa um movimento da poesia italiana que surgiu, na Toscana, entre a segunda metade do século XIII e o início do século XIV, desenvolvido por um grupo de poetas florentinos, como Guido Guinizelli, Dante Alighieri, Guido Cavalcanti, Lapo Gianni, Gianni Alfani e Cino da Pistoia.
A expressão foi primeiramente utilizada por Dante, na Divina Comédia (capítulo XXIV, est. 19 do "Purgatório"), ao evocar o encontro com o poeta florentino Bobagiunta da Lucca, que se tornara uma alma do Purgatório. Aí, o Poeta, ao reconhecer Dante como o introdutor das "novas rimas", contrapõem-nas com as da sua escola trovadoresca.
Sucessor da lírica trovadoresca, o dolce stil nuovo apresenta, na poesia, novas características a nível de conteúdo e forma. Assim, quanto àquele, surgem três grandes ideias ou "topoi". A primeira ideia consiste numa conceção do amor, já não de acordo com o antigo modelo de vassalagem, inerente a uma sociedade feudal, mas segundo os princípios da gentileza, conforme determina o modelo da sociedade burguesa das cidades italianas. A gentileza, uma qualidade do espírito, que não se transmite com a linhagem, mas pela virtude individual, permite que o verdadeiro amor se instale apenas nos corações nobres e puros.
A segunda ideia baseia-se numa nova conceção da mulher amada, vista como angélica que, com o seu olhar, provoca no homem o desejo de bondade, de perfeição moral, de gentileza e de elevação espiritual.
A terceira ideia remete para o estado de espírito do enamorado que, pela recordação da beleza e da imagem angelical da dama, procura encontrar equilíbrio entre o doce encanto do coração e o receio de ser abandonado ou de se ver privado de tal graciosa figura.
Relativamente às novas características formais, confere-se grande importância ao refinamento da forma, pela remoção dos elementos decorativos supérfluos. No que diz respeito ao tom da expressão poética, Dante designa-o como "doce" e "suave", pois as poesias devem espelhar delicadeza, musicalidade e graça. Para permitir uma maior variedade de tom e de temas, impunha-se o verso de dez sílabas, o decassílabo, acentuado ou na 4.ª, 8.ª e 10.ª sílabas do verso (verso sáfico), ou na 6.ª e 10.ª sílabas (verso heroico). Na altura, designava-se "hendecassílabo" (verso de onze sílabas), porque, de acordo com o método italiano, quando a última palavra era grave, considerava-se a sílaba postónica. Relativamente às combinações de versos e construções estróficas, foram sobretudo cultivados o soneto, a canção, a sextina e as composições em tercetos e em oitavas.
Em Portugal, é usual confundir o dolce stil nuovo com o movimento petrarquista, devido a uma simplificação de conceito e dos aspetos formais. O soneto, forma introduzida em Portugal por Sá de Miranda e, em Espanha, por Boscán, normalmente considerado como pertencente ao dolce stil nuovo, era já produzido pela Escola Siciliana, em Itália, desde meados do século XIII.
O dolce stil nuovo pode ser apreciado no livro Vita Nuova de Dante ou nos poemas "Al cor gentil ripara sempre amore" de Guido Guinizelli ou "Donna mi prega, perch'io voglio dire..." de Guido Cavalcanti, sendo considerada a obra Il Canzoniere de Petrarca aquela que marca o declive definitivo deste movimento poético.
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